Na última sexta-feira, 3 de julho de 2026, a igreja de Santa Ana, em Turim, sediou o funeral do arquiteto iraniano Abolfazl Assadi, muçulmano xiita, com direito a incenso, orações e bênçãos do reitor do seminário de Pinerolo, o presbítero Cristiano Magagna. O caso gerou polêmica por violar as normas canônicas que reservam os sacramentais, como os funerais, exclusivamente aos católicos batizados ou catecúmenos.
O arquiteto iraniano Abolfazl Assadi (ابوالفضل اسدی), falecido aos 74 anos, teve seu funeral realizado na igreja de Santa Ana, em Turim, no último dia 3 de julho de 2026. Assadi era muçulmano xiita, mas isso não impediu que recebesse incenso, orações e bênçãos do reitor do seminário de Pinerolo, o presbítero Cristiano Magagna, instalado em 20 de abril de 1997 por João Paulo II Wojtyla. Magagna, amigo da família, oficiou a cerimônia porque o pároco, 'monsenhor' Valter Danna, não quis interromper suas férias de verão.
Danna, ex-vigário arquidiocesano de Turim, ao ser contatado, minimizou o ocorrido declarando ao La Nuova Bussola Quotidiana: 'Foi sua esposa quem quis o funeral na igreja. Bem, não foi exatamente um funeral. Foi mais uma oração de despedida para um arquiteto iraniano muito conhecido, cuja família é benfeitora da paróquia. Não me coloquem em apuros, tudo foi feito corretamente. Não um funeral com água benta e sinos, por assim dizer, mas uma série de orações inter-religiosas a Deus com leituras apropriadas. Mas não quero que se fale sobre isso. Mais que anormal, digamos inusitado. Nunca me aconteceu algo assim, mas o importante é que não se apresente como um funeral, mas como uma despedida, um adeus. Afinal, um funeral não é um sacramento, mas um sacramental.'
Os sacramentais, assim como os funerais, são reservados aos católicos (batizados ou catecúmenos). Portanto, é proibido, sob pena de sacrilégio e de communicatio in sacris passiva, administrá-los a quem não o é, por mais benfeitores que sejam à Igreja (ou que os muçulmanos sunitas digam depreciativamente que os xiitas são 'semicristãos'). Além disso, é uma falta de respeito para com a memória do falecido, assim como seria se um cristão recebesse sepultura com ritos muçulmanos.
Para este funeral 'catosulmão', 'Monsenhor' Danna pôde contar com garantias do arcebispo Roberto Repole Mancuso, que é cotado como possível sucessor do cardeal Matteo Maria Zuppi Fumagalli na presidência da Conferência Episcopal Italiana.
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