O Pe. Benoît Espinasse, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, exorta os fiéis a não se angustiarem com os próximos sacres episcopais de 1º de julho, lembrando a recomendação evangélica de confiar na bondade paternal de Deus e no bom senso, diante da crise que assola a Igreja.
Se nossas almas são tomadas pelo medo do futuro, pensemos nesta recomendação de Nosso Senhor aos seus apóstolos (Evangelho do 14º domingo depois de Pentecostes). E nosso bom Mestre dá como grande motivo dessa confiança a bondade paternal de Deus, que vela por seus filhos: «Olhai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?»
O Bom Deus não nos proíbe uma justa preocupação com as coisas temporais: um pai de família deve preocupar-se em assegurar a subsistência aos seus; uma mãe de família, com o bom funcionamento da casa e a educação dos filhos; um estudante, com a preparação para o seu concurso... Mas Ele nos proíbe uma preocupação exagerada com o amanhã. Ser previdente é virtuoso, mas «a cada tempo convém a sua preocupação própria, como ao verão a preocupação com a colheita, ao outono a da vindima. Se, portanto, no verão já tivéssemos preocupação com a vindima, anteciparíamos inutilmente a preocupação própria da estação seguinte; donde: não vos preocupeis com o amanhã», explica Santo Tomás de Aquino.
O Doutor Angélico apenas segue o Evangelho, que nos convida simplesmente a olhar o que o Senhor já fez por nós e ao nosso redor: Ele nos deu os maiores bens do corpo e da alma; concede essa ajuda aos outros seres, plantas e animais, segundo a sua natureza; o Pai sabe do que precisamos. A má preocupação é frequentemente alimentada por uma curiosidade excessiva que nos coloca diante de um fluxo de informações que ultrapassa a quantidade que o Bom Deus quis que fôssemos capazes de processar; por uma falta de espírito de sacrifício que gera um medo exagerado de faltar ou sofrer; enfim, pela influência da mentalidade contemporânea e de sua moral positivista, que arranca do espírito o firme apoio do bom senso.
Quanto a este último ponto, voltemos ao real: uma ação é proibida porque é má, mandada porque é boa; e não: uma ação é boa porque é mandada pela lei, má porque é proibida. Guardemos, pois, a paz quando devemos recusar atos maus ou praticar atos bons e necessários que a lei dos homens queira proibir: ela não é o critério determinante da moralidade de uma ação.
Qual é o objetivo destas considerações? Poupar-vos uma preocupação inútil diante dos sacres de Écône de 1º de julho. Condenação ou não, esta consagração é necessária, boa, face a uma crise da Igreja que se aprofunda, a fim de assegurar-vos a vida cristã a que tendes direito. Tende confiança no vosso bom senso! Sede realistas! «Nossa casa está pegando fogo», dizia Jacques Chirac a respeito do aquecimento climático. Quanto ao clima, não sei. Mas quanto à Igreja, podeis constatar que, desde o Concílio Vaticano II, um incêndio foi aceso pela introdução de doutrinas novas e manifestamente nefastas para a fé.
Quando uma casa pega fogo numa rua de mão única, os bombeiros não se preocupam mais tanto com o sentido proibido. Eles atendem ao mais urgente para salvar vidas. A necessidade dispensa a lei. Então, quando alguns vos dizem: «É preciso morrer queimado, pois apagar o fogo espiritual que destrói vossas almas vai contra o direito canônico», tendes toda a razão de responder, sem medo — e é a resposta de nossos superiores ao decidir esta cerimônia dos sacres —: há fogo; quando se podem salvar almas, é preciso intervir, mesmo que isso obrigue aparentemente a tomar um sentido proibido. Agir de outro modo seria desarrazoado.
Além disso, como recomenda o Evangelho, considerai a ação da Providência no passado para vos tranquilizar quanto ao futuro. Isso faz, para alguns de vós, muitos anos; para outros, apenas alguns anos ou alguns meses, que vindes aqui nutrir vossa alma. Para a grande maioria de vós, descobristes a Fraternidade São Pio X depois de 1988, isto é, depois dos sacres operados por Dom Lefebvre. Naquela época já se falava em cisma e acusava-se Dom Lefebvre de romper a comunhão, de criar uma Igreja paralela. Tal acusação, pudestes verificá-la com o recuo do tempo? Frequentar a Fraternidade São Pio X vos afastou da Igreja? Vos fez amar menos a Igreja Católica e tornar-vos membros de outra Igreja? Não. Absolutamente não. E, durante quase quarenta anos, jamais os bispos da Fraternidade São Pio X agiram como se fossem uma hierarquia que se substitui à da Igreja.
Ora, esta situação não mudará com estes sacres de 2026. Será a mesma que desde 1988, com simplesmente um pouco mais de bispos, um pouco mais jovens, para continuar, enquanto durar a crise da Igreja, a garantir-vos os meios de santificação a que tendes direito. (Fonte: Le Carillon n°214 de junho de 2026 – FSSPX Actualités)
📎 Fonte original: Laportelatine
