O artigo, publicado como tribuna livre no Salon Beige, responde às objeções levantadas por Dollie contra a obra de Madame Vialla, que propõe uma abordagem espiritual do ciclo feminino. O autor critica o tom de Dollie, que frequentemente invoca a ameaça de heresia, lembrando que a Igreja sempre praticou a disputatio e que não há condenação magisterial direta sobre o tema. O debate, segundo o texto, envolve questões antigas e atuais: a relação da Igreja com as mulheres, a sexualidade, os sacramentos e a psicologia da fé.
O autor refuta a afirmação de Dollie de que o corpo sexuado não interfere no ato de conhecimento intelectual, citando o Catecismo da Igreja Católica (parágrafo 365), que afirma a unidade de espírito e matéria no ser humano. Para o autor, negar essa influência é cair em dualismo, incompatível com a fé católica. Ele lembra que São Tomás de Aquino, embora hierarquize corpo e espírito, não nega o papel do corpo no conhecimento, e que o 'sensus communis' tomista integra as sensações corporais.
O artigo distingue claramente ciclo feminino de sexualidade, acusando Dollie de confundir os termos. O ciclo feminino é uma realidade científica e médica que afeta a vida diária da mulher, inclusive religiosas, e não deve ser sexualizado. Perguntar como viver o ciclo e a espiritualidade juntos não é sexualizar a oração, mas reconhecer que a oração pode ser 'generificada' – homens e mulheres podem rezar de modos diferentes, sem que isso seja negativo.
A capa do livro de Madame Vialla, que Dollie considerou ofensiva a Deus, é defendida como representação do corpo humano, criação divina, citando o Salmo 138. O autor rejeita o puritanismo, fruto do protestantismo, e afirma que o corpo, inclusive os órgãos genitais, não é degradante, mas parte do caminho de salvação da mulher.
O autor insiste na unidade da pessoa humana: a Igreja busca unificar inteligência e sensibilidade, corpo e espírito, conforme o princípio tomista 'a graça não destrói a natureza, mas a aperfeiçoa'. O ciclo feminino, portanto, tem valor sobrenatural, pois é vivido por uma alma que busca a salvação, afetando a vida conjugal e moral. Reduzi-lo a mera função biológica seria dualismo.
Por fim, o artigo reconhece que homens e mulheres têm a mesma vocação à salvação, mas isso não exclui especificidades próprias de cada sexo. A natureza feminina, com corpo e hormônios femininos, molda o caminho para Deus – exatamente o oposto do que a ideologia transgênero prega. O autor conclui que as mulheres precisam de respostas verdadeiras e compaixão autêntica, e a Igreja deve estar ao lado delas sem negar seu Magistério nem a especificidade feminina.
📎 Fonte original: Lesalonbeige
