Em entrevista à France Catholique, o prelado afirmou que os parlamentares católicos que apoiarem a iniciativa devem pesar as consequências espirituais de seu voto. "Se estão conscientes dessa incoerência, já não poderão comungar", declarou, convidando-os a um "exame de consciência sincero" antes da votação.
Dom Aillet sublinhou que a rejeição à eutanásia não se baseia apenas em convicção religiosa, mas também na lei natural, fundamento do respeito a toda vida humana. Um deputado que se declara católico e apoia uma lei que permite tirar a vida de um paciente "coloca-se objetivamente em oposição a um ensinamento constante da Igreja".
O bispo recordou a instrução Samaritanus Bonus, da Congregação para a Doutrina da Fé, que reafirma ser a eutanásia "um ato intrinsecamente mau, qualquer que seja a circunstância". Diante dos que a apresentam como gesto de humanidade, Aillet distingue a verdadeira compaixão da "falsa misericórdia", conforme denominada por São João Paulo II.
Para o bispo, uma sociedade verdadeiramente fraterna responde ao sofrimento com cuidados paliativos, acompanhamento psicológico, familiar e espiritual, em vez de oferecer a morte como solução. Ele denunciou ainda o "intenso bombardeio midiático influenciado por poderosos lobbies", que contribui para obscurecer as consciências.
Sobre os que solicitam a eutanásia, Dom Aillet lembrou que o suicídio é objetivamente contrário à vontade de Deus, mas cada caso exige discernimento pastoral. O sacerdote deve ajudar a pessoa a recuperar a esperança, reconciliar-se com Deus e renunciar ao propósito de tirar a própria vida. Quanto aos funerais cristãos, cada situação deve ser estudada com prudência, evitando dar a impressão de que a Igreja aprova a eutanásia.
O prelado manifestou preocupação com os profissionais de saúde que poderiam ser obrigados a participar de procedimentos eutanásicos, e defendeu a plena garantia da cláusula de consciência, bem como o direito de hospitais e centros católicos se recusarem a aplicar a futura lei. "Uma sociedade verdadeiramente democrática não pode exigir que instituições fundadas no respeito incondicional à vida ajam contra suas convicções mais fundamentais", afirmou.
Por fim, Dom Aillet referiu-se à próxima visita do Papa Leão XIV à França, cujo lema será "Para que o mundo tenha vida". Embora a lei possa ser aprovada antes da chegada do Pontífice, isso não elimina o dever dos cristãos de testemunhar. O bispo espera que o Papa recorde "com força a dignidade inalienável de toda vida humana", encoraje famílias, profissionais de saúde e voluntários, e renove a esperança dos fiéis. "Uma sociedade se enfraquece quando apresenta a morte como solução. Cristo veio para que os homens tenham vida e a tenham em abundância", concluiu.
📎 Fonte original: Infovaticana
