O Santo Padre iniciou seu discurso destacando que a ação missionária dos últimos séculos é a mais clara manifestação da consciência que a Igreja, Esposa de Cristo, tem de sua missão universal. Fiel ao mandato do divino Fundador — 'Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura' (Mc 16,15) —, a Igreja sempre empreendeu o trabalho missionário sempre que portas até então fechadas à pregação evangélica se abriam.
Pio XII recordou como a Igreja, após ter sido mestra da verdade para os povos do antigo Império Romano, conquistou para a fé e a caridade de Cristo os povos germânicos e anglo-saxões, e em seguida as várias populações eslavas, magiares e finlandesas. Mais ainda, já antes do século XVI, fundou as primeiras igrejas na China, no extremo Oriente, assim como na Groenlândia e nas Ilhas Canárias ou Afortunadas, no extremo Ocidente.
O Pontífice observou que a obra de evangelização só pôde ter seu pleno desenvolvimento na época das grandes e definitivas descobertas, por volta de 1500, dando origem ao movimento missionário no sentido mais próprio e específico. Esse movimento, que no Antigo e no Novo Mundo foi se alargando e difundindo cada vez mais, tornou-se um poderoso movimento popular, atraindo todas as classes da sociedade cristã, particularmente as mais humildes, e inflamando todos os filhos da Igreja a contribuir das mais variadas formas para a propagação da Fé.
Este movimento, segundo Pio XII, traz à mente o entusiasmo pelas Cruzadas, que do final do século XI a quase todo o século XIII manteve o Ocidente cristão em ansiosa expectativa. No entanto, o Papa afirmou que a história futura colocará a obra missionária da era moderna ainda mais alto do que as gestas dos cruzados na Idade Média.
As Cruzadas, explicou o Santo Padre, tendiam a alcançar sua meta principalmente com as armas dos guerreiros e dos políticos. Já a obra missionária trabalha com a espada do espírito (Ef 6,17), da verdade, do amor, da abnegação e do sacrifício. As Cruzadas propunham a libertação da Terra Santa, e particularmente do Sepulcro de Cristo, das mãos dos infiéis — fim nobilíssimo e elevado. Além disso, historicamente, serviram para defender a fé e a civilização do Ocidente cristão contra o Islã.
A obra missionária, porém, não se detém em assegurar e proteger suas posições. Seu objetivo é fazer de todo o mundo uma Terra Santa. Ela visa levar o Reino do Redentor ressuscitado, a quem foi dada toda a potestade no céu e na terra (cf. Mt 28,18), e estender seu império sobre os corações através de todas as regiões, até a última cabana e o último homem que habita o planeta.
📎 Fonte original: Radiospada
