Em meio às angústias e tormentos do Purgatório, as almas encontram um grande alívio na intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, que, por sua misericórdia e poder junto ao Filho, alivia suas penas e as liberta, especialmente nas festas litúrgicas.
Em todas essas angústias, tribulações, opressões e tormentos, um grande alívio e refrigério para aquelas almas é a Bem-Aventurada Virgem Maria. Isso é comprovado por muitos testemunhos e milagres dos santos, e pela experiência daqueles que, condenados àquelas chamas do purgatório, ou sentiram eles mesmos o refrigério ou, tendo-o obtido de outros, o relataram e testemunharam com fé certa.
O nosso São Vicente Ferrer, no Sermão 2 sobre a Natividade, escreve: "Maria é boa para com aqueles que se encontram no purgatório, porque por meio Dela as almas ali detidas recebem sufrágio". São Bernardino de Sena, detendo-se naquelas palavras do Eclesiástico (24, 8) «E caminhei sobre as ondas do mar», no Sermão 2 sobre o glorioso nome de Maria, art. 2, afirma assim: "A Bem-Aventurada Virgem detém o domínio no reino do purgatório, por isso diz: «E caminhei sobre as ondas do mar». A pena do purgatório é chamada de 'onda' porque é transitória, mas se acrescenta 'do mar' porque é indubitavelmente amarga. Desses tormentos a Bem-Aventurada Virgem liberta especialmente os seus devotos".
Bernardino de Bustis, insigne elogiador da Virgem Mãe de Deus da Ordem dos Menores, relata no seu Mariale que a Bem-Aventurada Virgem Maria, prestes a morrer e a ir para o céu, pediu ao Filho que pudesse levar consigo à glória celeste as almas que estavam detidas no purgatório; coisa que Ela obteve, como afirma claramente João Chanceler parisiense no Tratado 4 sobre o Magnificat. Não afirmaria isso se não tivesse disso uma testemunha superior a qualquer exceção, a saber, São Pedro Damião, claríssimo por doutrina, santidade e autoridade dos escritos.
Mas também fora do dia da sua Assunção, a Bem-Aventurada Virgem Maria socorre mais frequentemente as almas detidas no purgatório e as liberta daqueles dolorosíssimos tormentos, especialmente naqueles dias em que a Igreja celebra as suas solenidades e no dia do Natal do Senhor, no qual Ela deu a este mundo o Salvador do mundo, o Filho de Deus revestido de carne humana. Nestes dias, digo, a Bem-Aventurada Virgem Maria costuma visitar aquelas almas miseráveis e aflitas, e digna-se arrancar muitas delas dos tormentos e elevá-las ao céu.
Finalmente, a Bem-Aventurada Virgem, exigindo-o a divina justiça e a sua justíssima vontade, não arranca imediatamente as almas daquelas chamas purgatórias, todavia com as suas orações e os seus méritos faz com que aquelas penas sejam para elas tornadas mais leves, mais breves e mais reduzidas; coisa que opera a sua suma piedade e propensão para com aquelas almas e a sua suma potência e autoridade junto do Filho. Por isso a Igreja católica, quando reza pelos defuntos, recomenda mais intensamente à Bem-Aventurada Virgem Maria todas as almas fiéis que passaram deste mundo. «Pela intercessão», diz a Igreja, «da Bem-Aventurada Maria sempre Virgem, juntamente com todos os teus santos, concede-lhes chegar ao consórcio da perpétua beatitude».
O Idiota, homem doutíssimo, no livro das suas Contemplações sobre a Virgem, cap. 5, chama-a "o respiro do homem", pois como, se se interrompe o alento, o homem não pode de modo algum viver, assim, tirado o patrocínio da Virgem, o pecador não pode viver espiritualmente. Confirma-o Santo Anselmo na oração de louvor à Virgem: "Como, ó Beatíssima Virgem, é necessário que morra quem quer que se afastou de ti e é por ti desprezado, assim é impossível que pereça quem quer que se voltou para ti e é por ti olhado".
Portanto, quando és abalado por alguma aflição ou oprimido pela tristeza, recorre a Maria, invoca Maria; venham-te à mente as adversidades que Ela mesma padeceu nesta vida. Compadecer-se-á dos aflitos Ela que outrora foi aflita, agora dos tristes Ela que outrora foi triste, dos pobres Ela que outrora foi pobre. Ela diz mais verdadeiramente que Dido: "Experiente na dor, aprendi a socorrer os infelizes" (Eneida I, 630).
Discursus praedicabiles in Litanias Lauretanas, t. II, Neapoli, 1857, pp. 348-350. «Da sua parte a piíssima Mãe não faltará em interceder junto de Deus, para que os seus filhos, que no Purgatório expiam os seus pecados, alcancem o mais breve possível a pátria eterna, segundo o chamado Privilégio Sabatino, transmitido pela tradição» (Pio XII, Neminem profecto latet, 11 de fevereiro de 1950). «O sagrado Escapulário de Maria é o verdadeiro escudo da Rainha do Carmelo, concedido aos seus soldados como proteção contra os dardos envenenados lançados continuamente durante a vida pelos inimigos infernais. Um piedoso escritor Carmelita chama a propósito a antiga fábula do escudo mandado preparar por Vênus na forja de Vulcano para defesa do seu Eneias, o qual escudo era de têmpera tão forte que rechaçava todos os dardos dos Latinos (Eneida VIII). Mas quanto melhor, e não fabulosamente, poderemos nós dizer que Maria Santíssima fez dom de um escudo portentoso, sobre-humano?» (da La Stella del Carmelo, IV, 2, fevereiro de 1877).
📎 Fonte original: Radiospada
