Ela é diplomada pela École Normale Supérieure (Ulm) e agregada em História, prestes a concluir o doutorado na Sorbonne. Ele, também formado pela mesma instituição, trabalhou como conselheiro em gabinete ministerial. Pais de três crianças pequenas, decidiram instruir pessoalmente sua filha de três anos, mas esbarram em uma muralha administrativa.
Desde 2021, a instrução em família na França deixou de ser um direito mediante simples declaração. A lei que reforça o respeito aos princípios da República, conhecida como lei contra o separatismo, instituiu um regime de autorização restrito a quatro motivos: saúde, prática esportiva ou artística intensiva, itinerância da família ou existência de uma "situação própria à criança". Foi este último motivo que o casal tentou invocar, sem sucesso.
"O diretor acadêmico dos serviços da Educação Nacional respondeu que minha filha não tem uma situação própria e que nada impede sua escolarização", relata a mãe. "No entanto, a única questão que nos preocupa é saber qual opção lhe permitirá desenvolver-se melhor."
O número de crianças instruídas em família caiu drasticamente: de mais de 72 mil em 2022 para 30.644 em 2025. Para o casal, a lei é ilegítima. "Não se leva em conta o bem das crianças e o Estado tende a arrogar-se um monopólio que sempre foi próprio das tiranias. Digamos francamente: o bem de nossa filha prevalece sobre a opinião dos burocratas."
Após duas recusas, os pais preparam-se para recorrer ao tribunal administrativo. "Enquanto aguardamos o julgamento, nos preparamos para entrar em desobediência civil", afirmam, determinados a resistir ao que consideram uma intromissão ilegítima do Estado no direito natural dos pais de educar os filhos.
📎 Fonte original: Lesalonbeige
