A Igreja Católica sempre advertiu contra dar crédito às supostas revelações do demônio, conforme ensina o Ritual Romano, que recomenda aos exorcistas não se perderem em perguntas curiosas ou supérfluas, especialmente sobre coisas futuras e ocultas, e ordena que se imponha silêncio ao espírito imundo, mesmo quando ele profere verdades.
«O diabo, quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira» (Jo 8,44).
Do Ritual Romano, livro litúrgico que contém os ritos para a administração dos sacramentos e sacramentais, promulgado por Paulo V em 16 de junho de 1614, extraímos esta autorizada recomendação que a Santa Madre Igreja antepunha ao rito de exorcismo dos possessos pelo demônio:
«O exorcista esteja atento a não se perder em um excesso de palavras ou em interrogações supérfluas ou curiosas, especialmente sobre coisas futuras e ocultas que não pertencem ao seu ofício; mas ordene ao espírito imundo que cale e responda apenas às perguntas que lhe são feitas. Nem se lhe dê crédito se o demônio simula ser a alma de algum santo, de um defunto ou um anjo bom. As interrogações verdadeiramente necessárias são, por exemplo: sobre o número e o nome dos espíritos que obsidiam, sobre o tempo em que entraram, sobre a causa e outras coisas deste gênero. O exorcista, então, refreie ou despreze as outras mentiras, risadas e tolices do demônio, e advirta os presentes – que devem ser poucos – a não se importarem com essas coisas e a não interrogarem eles mesmos o possesso, mas antes a rezar a Deus por ele com humildade e insistência» (ed. 1916, p. 393).
Esta norma eclesiástica (que nos parece desatendida quando se dá crédito e se divulgam as “revelações” do demônio X e do endemoniado Y) reflete a atitude do Senhor (Mc 1,23-26.34; Lc 4,33-35.41) e dos Apóstolos (por exemplo, São Paulo que liberta a pitonisa em Atos 16,16-18), que ameaçavam, impunham silêncio e expulsavam os demônios mesmo quando estes afirmavam coisas verdadeiras.
📎 Fonte original: Radiospada
