A expressão 'como ovelhas sem pastor', extraída do Evangelho de São Mateus (9,36), tem sido utilizada com frequência por analistas católicos para descrever o estado de abandono espiritual que muitos fiéis experimentam diante das ambiguidades e contradições que emergem de certas lideranças eclesiásticas. O comentário publicado no blog 'Sedevacante' por J. Diego Ortega, em 4 de novembro de 2022, ressalta essa percepção, apontando para uma crise que transcende questões meramente administrativas e toca o âmago da fé.
O autor do texto, ao utilizar a imagem das ovelhas sem pastor, evoca a tradição bíblica e patrística que vê no bispo e no papa a figura do pastor que guia, alimenta e protege o rebanho. No entanto, Ortega observa que, em tempos recentes, muitos católicos têm se sentido como ovelhas dispersas, sem uma voz clara que lhes aponte os caminhos seguros da doutrina e da moral, diante de declarações e gestos que parecem semear mais dúvidas do que certezas.
A publicação, que data de 2022, insere-se em um contexto de debates acalorados sobre a sinodalidade, a liturgia e a recepção da exortação apostólica 'Amoris Laetitia', entre outros temas que têm gerado controvérsias dentro da Igreja. Ortega, ao comentar a situação, não se limita a uma análise superficial, mas busca nas raízes da fé católica os elementos para compreender o que ele considera um abandono pastoral.
O autor destaca que a crise não é apenas de liderança, mas também de identidade. Muitos fiéis, confusos com as mudanças e as interpretações divergentes, questionam-se sobre o que realmente ensina a Igreja e sobre como viver sua fé de maneira autêntica. Essa sensação de desamparo é agravada pela falta de uma orientação unívoca e pela percepção de que certas autoridades eclesiásticas parecem mais preocupadas em agradar ao mundo do que em preservar o depósito da fé.
Ortega, no entanto, não se entrega ao desespero. Ele lembra que, mesmo nas piores crises, Cristo permanece o verdadeiro Pastor e que a Igreja, apesar das fraquezas humanas de seus membros, é guiada pelo Espírito Santo. O autor convida os fiéis a não perderem a esperança e a se apegarem firmemente à tradição e ao magistério autêntico, como bússola segura em meio às tempestades.
A publicação também chama a atenção para a necessidade de os católicos se unirem em oração e ação, buscando ser, eles mesmos, pastores uns para os outros, no exercício da caridade e do testemunho. Em um mundo que muitas vezes parece ter perdido o sentido do sagrado, a resposta à crise não está em buscar soluções meramente humanas, mas em aprofundar a relação com Deus e com a sua Igreja.
Por fim, o texto de Ortega é um convite à reflexão sobre o papel de cada batizado na vida da Igreja. Se as ovelhas estão sem pastor, cabe também a elas, iluminadas pela graça, clamar ao Senhor da messe que envie pastores segundo o seu coração, e ao mesmo tempo, assumir com coragem a própria vocação cristã, sendo sal da terra e luz do mundo, mesmo em meio às trevas que parecem envolver certos aspectos da vida eclesiástica.
A mensagem do blog 'Sedevacante' ressoa, assim, como um alerta e um chamado à fidelidade, em um momento em que muitos buscam respostas e orientação. A imagem das ovelhas sem pastor permanece atual e desafiadora, lembrando a todos que a verdadeira liderança na Igreja só pode ser exercida em conformidade com o Evangelho e com a tradição apostólica, sob o olhar misericordioso de Deus, que nunca abandona o seu povo.
📎 Fonte original: Blogspot
📷 Foto: Melih Akkus via Pexels — A shepherd guides a flock of sheep through a wintry landscape during a snowstorm.
