A Universidade de Verão da França Insubmissa (LFI), batizada de 'AMFIS 2025', ocorreu de quinta-feira, 21 de agosto, a domingo, 24 de agosto de 2025, na cidade de Châteauneuf-sur-Isère. O evento, que reuniu militantes e simpatizantes do partido de esquerda radical, foi estruturado em torno de comícios, entrevistas e mesas-redondas temáticas. Uma dessas mesas, intitulada 'As faces internacionais da extrema direita', foi conduzida pelo deputado do Vaucluse, Raphaël Arnault.
Durante essa conferência, um membro da plateia dirigiu-se ao grupo de palestrantes com declarações que rapidamente geraram polêmica. Segundo o comunicado da AGRIF, o indivíduo afirmou: 'Fala-se da Índia, fala-se do islamismo, mas na verdade o pior flagelo hoje é o cristianismo. São os cristãos que são os mais poderosos e que conduzem a política mais desumana que existe.' A intervenção foi gravada e posteriormente publicada na conta oficial da LFI no YouTube, ampliando sua repercussão.
A AGRIF, entidade que se dedica ao combate ao racismo anti-francês e à defesa dos valores cristãos, classificou as declarações como 'injúria pública agravada' contra os cristãos. De acordo com a organização, a ofensa se configura porque o cristianismo foi qualificado como 'o pior flagelo hoje' e os cristãos foram acusados de conduzir 'a política mais desumana que existe', sem que nenhum fato concreto fosse apresentado para embasar tais acusações. A AGRIF argumenta que a gravidade decorre do ataque direto a um grupo religioso, motivado exclusivamente por sua pertença à fé cristã.
Como consequência, a AGRIF anunciou que apresentou queixa contra a LFI com constituição de parte civil. Isso significa que a entidade não apenas denuncia o ocorrido, mas também se habilita como parte no processo judicial, podendo requerer reparação e acompanhar de perto as investigações. A ação busca responsabilizar o partido pela disseminação do discurso, uma vez que a fala foi veiculada em seu canal oficial, dando-lhe ampla publicidade.
O episódio reacende o debate sobre liberdade de expressão e discurso de ódio na França. Enquanto alguns defendem que se trata de uma opinião política protegida, a AGRIF sustenta que a generalização contra todo um grupo religioso ultrapassa os limites da crítica legítima e configura ofensa penal. A entidade lembra que a legislação francesa pune injúrias e incitações ao ódio contra grupos religiosos, e que a menção ao cristianismo como 'flagelo' e aos cristãos como 'desumanos' se enquadra nessa categoria.
A universidade de verão da LFI é um evento anual que reúne a militância do partido para debater propostas e estratégias políticas. A mesa em questão, focada na extrema direita internacional, acabou ofuscada pela intervenção do público. A gravação, disponível no YouTube, já contabiliza milhares de visualizações, o que, segundo a AGRIF, evidencia a gravidade da difusão dessas declarações.
A AGRIF é conhecida por sua atuação em defesa dos cristãos e da identidade francesa, tendo histórico de ações judiciais contra manifestações consideradas cristofóbicas. Este novo processo contra a LFI sinaliza que a entidade pretende usar todos os instrumentos legais para coibir o que considera ataques injustos à fé cristã. O caso agora seguirá para a Justiça francesa, que decidirá se as declarações constituem de fato injúria pública agravada e se a LFI pode ser responsabilizada por sua veiculação.
Procurada, a LFI ainda não se pronunciou oficialmente sobre a queixa. O deputado Raphaël Arnault, que conduzia a mesa, também não comentou o episódio até o momento. A AGRIF, por sua vez, reafirmou seu compromisso de defender os cristãos contra o que chama de 'cristianofobia cotidiana', termo que utiliza para descrever episódios recorrentes de hostilidade contra a fé católica na França.
📎 Fonte original: Lesalonbeige
