Segundo informações divulgadas pela Reuters, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira, 30 de julho, que o chamado "Conselho da Paz" havia alcançado um entendimento para o desarmamento completo do Hamas e dos demais grupos armados de Gaza. O plano seria executado por etapas: à medida que as armas fossem entregues e destruídas, as tropas israelenses se retirariam, enquanto uma força internacional de estabilização colaboraria com uma nova polícia palestina na manutenção da segurança. No dia seguinte, o Hamas confirmou ter aceitado um acordo que prevê a entrega de suas armas a uma administração palestina e a retirada gradual de Israel. O entendimento também permitiria que um comitê palestino assumisse progressivamente o governo civil da Faixa de Gaza.
Contudo, ainda há uma distância considerável entre o anúncio de um acordo e sua aplicação efetiva. Israel não havia apresentado, até o momento da divulgação, uma adesão formal ao último texto, e permanece a divergência central sobre a ordem dos acontecimentos: o Hamas exige que o desarmamento acompanhe o fim dos ataques e o recuo israelense; Israel sustenta que a desmilitarização deve preceder qualquer retirada. Essa divergência não é apenas técnica. Ela pode determinar se o acordo representará efetivamente o fim da guerra ou apenas mais uma trégua precária, incapaz de impedir novos ciclos de violência. Gaza já conheceu anúncios, negociações e cessar-fogos que não se traduziram em segurança duradoura para a população civil. Por isso, a esperança precisa ser acompanhada de prudência.
Para os cristãos de Gaza, reduzidos atualmente a poucas centenas de pessoas, qualquer interrupção real das hostilidades significa muito mais do que o silêncio momentâneo das armas. Significa poder permanecer em sua própria terra. A continuidade da guerra, da fome, da destruição e dos deslocamentos ameaça produzir aquilo que décadas de pressão e emigração ainda não haviam consumado: o desaparecimento praticamente completo da presença cristã na Faixa. Durante o conflito, a paróquia católica da Sagrada Família tornou-se o coração dessa resistência. O complexo paroquial acolheu famílias cristãs e muçulmanas, crianças, idosos, doentes e pessoas com deficiência. Ao lado da igreja funcionam uma escola do Patriarcado Latino e comunidades religiosas que, mesmo em condições extremas, mantiveram suas obras assistenciais. A paróquia deixou temporariamente de ser apenas um espaço de culto e passou a ser também abrigo, enfermaria, refeitório e último ponto de segurança para centenas de pessoas.
Poucos dias antes do anúncio do acordo, o pároco da Sagrada Família, Pe. Gabriel Romanelli, afirmou que a palavra "desastrosa" já não era suficiente para descrever a situação humanitária. A falta de combustível, medicamentos, alimentos e meios de transporte tornou a sobrevivência cotidiana quase impossível. É nesse contexto que deve ser compreendida a reação esperançosa dos cristãos: eles não estão celebrando uma vitória política, mas a possibilidade de voltar a viver sem a expectativa permanente de que o próximo bombardeio destrua suas casas, escolas ou igrejas.
O eventual fim da guerra também colocará diante da Igreja um enorme desafio de reconstrução. Não bastará restaurar paredes. Será necessário recuperar escolas, obras caritativas, serviços de saúde e condições mínimas para que as famílias cristãs não sejam obrigadas a emigrar. Sem emprego, moradia, liberdade de circulação e segurança, a reconstrução material poderá coexistir com o esvaziamento humano da comunidade. Neste ponto, a presença cristã em Gaza possui um significado que não pode ser medido apenas por estatísticas. Embora numericamente pequena, ela representa uma continuidade histórica e espiritual. Os cristãos locais não são estrangeiros nem hóspedes ocasionais; eles fazem parte do povo palestino e carregam uma tradição anterior às atuais divisões políticas do Oriente Médio. Sua possível extinção seria uma perda para toda a Terra Santa.
Uma Gaza sem cristãos seria também uma Gaza privada de instituições que, durante a guerra, demonstraram capacidade de servir indistintamente cristãos e muçulmanos. A paróquia da Sagrada Família tornou-se precisamente um testemunho de que a identidade cristã não se limita à preservação de um grupo, mas se manifesta no serviço aos mais vulneráveis. O Cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, tem reiterado que nenhuma vitória exclusivamente militar poderá solucionar o conflito. Essa percepção torna-se ainda mais importante diante do novo acordo. Desarmar o Hamas e retirar as tropas israelenses pode ser uma condição indispensável para encerrar a guerra, mas não será suficiente para construir a paz. A paz exigirá garantias para a população civil, liberdade religiosa, reconstrução econômica, instituições palestinas confiáveis e uma solução política capaz de impedir que Gaza permaneça indefinidamente condenada ao isolamento e à violência. Exigirá também que a comunidade internacional não abandone a região assim que os combates deixarem de ocupar as manchetes.
Para os cristãos, o verdadeiro teste do acordo será simples e concreto: saber se poderão voltar às suas casas, reabrir suas escolas, celebrar a Missa sem medo e criar seus filhos em Gaza. Até que isso aconteça, o anúncio deve ser recebido com esperança, mas não com ingenuidade. A paróquia da Sagrada Família sobreviveu como refúgio durante a guerra. O desafio agora é permitir que volte a ser plenamente aquilo que sempre deveria ter sido: uma casa de oração, educação e caridade no coração de Gaza. Se o acordo conseguir tornar isso possível, terá produzido algo maior do que uma pausa militar. Terá ajudado a impedir que uma das mais antigas comunidades cristãs do mundo desapareça em silêncio.
📎 Fonte original: Gaudiumpress
