O Bispo Atanásio Schneider, em uma nova declaração intitulada "A questão central sobre a Fraternidade São Pio X", argumenta que o debate sobre a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) e as ordenações episcopais previstas para 1º de julho tem sido superficial, especialmente entre clero e fiéis de orientação tradicionalista, sem abordar as questões fundamentais.
Schneider sustenta que a questão central envolve ambiguidades doutrinárias decorrentes do Concílio Vaticano II e seus efeitos danosos na vida da Igreja nos últimos sessenta anos, incluindo o relativismo doutrinal. Ele também aponta ambiguidades não resolvidas no Novus Ordo Missae. Para ele, o "legalismo" e uma "compreensão excessivamente restrita da fidelidade ao Papa" têm prevalecido sobre a clareza doutrinária e litúrgica.
O bispo defende que a Igreja deve recuperar o "primado da verdade e da clareza doutrinária", ao qual o direito eclesiástico e o papado devem estar subordinados, como ocorreu ao longo da história. Ele pede um debate honesto e vê a FSSPX como capaz de dar uma contribuição construtiva à Igreja, especialmente se a Santa Sé adotar uma abordagem mais pastoral, incluindo a concessão de um mandato apostólico para as ordenações.
Schneider critica o tratamento desigual dado à FSSPX em comparação com outros grupos, como os bispos alemães, perguntando por que a aceitação incondicional dos textos do Vaticano II é exigida como condição para a plena comunhão, enquanto não há requisito análogo para ensinamentos pastorais ou não definitivos de concílios anteriores.
Ele observa que o Concílio Vaticano II foi pastoral, não dogmático, citando Paulo VI, que afirmou que o concílio evitou definições dogmáticas infalíveis. Schneider aponta que ensinamentos não definitivos de concílios anteriores foram posteriormente corrigidos, e que hoje se exige aceitação de ensinamentos pastorais do Vaticano II como condição para comunhão, o que é inconsistente.
Entre os ensinamentos problemáticos, Schneider menciona liberdade religiosa, ecumenismo, diálogo inter-religioso e colegialidade, cujas formulações são ambíguas e difíceis de conciliar com a doutrina tradicional. Ele também questiona as deficiências rituais e doutrinárias do Novus Ordo Missae, que não podem mais ser descartadas levianamente.
O bispo conclui que o conflito gira em torno da questão da verdade, e que a FSSPX pode oferecer um contributo valioso se houver um diálogo honesto e uma abordagem pastoral por parte da Santa Sé, que permita a integração gradual da Fraternidade na vida ordinária da Igreja.
📷 Foto: Franz Lester Eusebio via Pexels — Catholic bishop speaking during a mass service in Baliwag, Philippines.
