O nominalismo metafísico e lógico inicia-se, de modo sistemático, com Roscellino (†1125), continua com Abelardo (†1160) e é retomado e desenvolvido por Guilherme de Ockham (†1349), que leva às últimas consequências o antitomismo escotista. Essa corrente sostenta que os universais e a natureza ou essência real — seja genérica, seja específica — carecem de realidade objetiva fora da mente pensante. A única realidade extramental é o singular: o indivíduo, por exemplo, Antônio. Nihil est praeter individuum. Este é o axioma que sintetiza e define o nominalismo. Em síntese, os universais lógicos (nomes) e ontológicos (essência ou natureza) não são senão puras vozes, flatus vocis sem consistência ontológica nem lógica, das quais nos servimos para indicar os indivíduos reais que se assemelham entre si (Antônio, Pedro, João...).
Abelardo sostinha que um universal era ao menos um conceito ou uma ideia. Ockham nega a objetividade e a realidade do conceito, que para ele só existem subjetiva ou logicamente no pensamento do indivíduo e não têm o menor fundamento na realidade. Desse modo, abrem-se as portas ao subjetivismo do cogito de Descartes e à crítica kantiana das categorias subjetivas. O padre Carlo Giacon escreve: «Lendo o Leviatã de Hobbes e o Ensaio sobre o entendimento humano de Locke, podem-se apreciar facilmente as fontes que inspiraram tais tratados no nominalismo de Ockham [...] Hume não fez outra coisa senão levar às últimas consequências os princípios nominalistas elaborados por Hobbes e Locke [...] Por isso a filosofia moderna apoia-se nos mesmos fundamentos que o nominalismo de Ockham» (Ockham, Brescia, La Scuola, II ed., 1945, p. 137).
O nominalismo radical de Ockham reduziu a metafísica à lógica e o ser ao pensamento, reduziu a capacidade da razão humana para conhecer a realidade e abriu de par em par as portas ao ceticismo e ao agnosticismo que vieram depois. Infelizmente, no nominalismo encontram-se muitos outros erros: entre outras coisas, nega a distinção real entre substância e acidentes e prepara a negação luterana da transubstanciação, que a substitui pela consubstanciação ou impanação. Mas aqui vou ocupar-me apenas dos erros metafísicos e lógicos relativos aos universais, que são precursores do empirismo e do subjetivismo, nos quais, junto aos sistemas de Kant e de Hegel, estão as raízes do modernismo, como explicou São Pio X.
Tal como explica o eminente estudioso de Ockham, padre Carlo Giacon, o nominalismo é herdeiro da antiga sofística grega, combatida por Sócrates, Platão e Aristóteles. Foi retomada sucessivamente pelo empirismo e pelo sensismo inglês, segundo o qual o conhecimento humano não é racional, mas somente sensível. No nominalismo está a origem do individualismo sensista filosófico, do liberalismo político e do liberalismo econômico e, por conseguinte, do liberalismo moral. De fato, segundo o nominalismo, só se pode conhecer o ato e o singular em sua singularidade sensível. Por isso, é a apoteose do individualismo e a negação da metafísica, da especulação intelectual, da sã razão e do senso comum.
Guilherme de Ockham (1300-1349) é o campeão do nominalismo. Deu as costas à escolástica medieval e traçou o caminho para a filosofia moderna e subjetivista. Rejeitou a metafísica em nome da lógica e concedeu, trezentos anos antes de Descartes, a primazia do pensamento sobre a realidade. Opôs-se ao realismo da consciência em nome de uma espécie de crítica pré-kantiana. Não edifica ainda a filosofia moderna, mas demole a perene, e dessa dissolução da escolástica medieval nasce a modernidade filosófica em sua pars construens. Diz o padre Carlo Giacon: «Com seu nominalismo lógico, que nega o valor objetivo da consciência racional, e com seu pré-agnosticismo metafísico, que elimina as bases racionais da fé e leva ao subjetivismo e ao ceticismo, Ockham [...] influiu na formação da filosofia moderna» (Ockham, Brescia, La Scuola, II ed., 1945, p. 120).
Em metafísica, Ockham nega a distinção real entre essência e ser (Summa logicae, III, 2, 27), entre ato e potência e entre substância e acidente, e afirma que o conhecimento racional não é capaz de demonstrar a existência de Deus (Quodl., I, q. 1), nem a existência de toda relação entre razão e fé. Em resumo, para Ockham a razão é incapaz de conhecer a essência das coisas, nem sequer o Transcendente; a lógica não é um conhecimento objetivo e real do mundo extramental (In Ium Sent., dist. 3, q. 8). O homem possui unicamente uma consciência sensível do singular, do fenômeno que está ao alcance dos sentidos, do que se pode experimentar (Quodl., I, q. 13; In IIIum Sent., dist. 9, q. única). Isso o converte em precursor do sensismo empirista do iluminismo inglês do século XVIII, já que o próprio Ockham «reduz a realidade ao que é empiricamente verificável». Daí que «da postura ocamista ao subjetivismo moderno não há mais que um brevissimo passo».
As consequências morais do nominalismo são igualmente devastadoras. O erro principal, que é a raiz da moral subjetivista e relativista de situação, radica na filosofia nominalista, moderna e contemporânea, e na teologia protestante e modernista, que substitui pelo eu pensante a realidade objetiva e anula a liberdade humana e o valor da bondade objetiva. Assim, a negação da essência e da natureza abre caminho para a negação da lei natural, da moral objetiva e da própria possibilidade de um conhecimento certo da verdade. O modernismo, condenado por São Pio X na encíclica Pascendi Dominici gregis, é apresentado como o fruto maduro dessa árvore envenenada, que reduz o dogma a símbolo mutável e a religião a sentimento subjetivo.
Portanto, a luta contra o modernismo exige, antes de tudo, a restauração da metafísica realista de Santo Tomás de Aquino, que afirma a objetividade do conhecimento, a realidade dos universais e a capacidade da razão humana de conhecer a verdade e de demonstrar a existência de Deus. Sem essa base filosófica sólida, a fé corre o risco de ser reduzida a um sentimento piegas ou a uma ideologia, e a Igreja perde a capacidade de anunciar o Evangelho com clareza e autoridade. A crise atual, que atinge a liturgia, a moral e a doutrina, tem suas raízes nessa revolução nominalista que, começando no século XIV, preparou o terreno para todos os erros da modernidade.
📎 Fonte original: Adelantelafe
