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Fulton Sheen, Vaticano II e a Revolução que Ele Não Viveu para Ver

27 de setembro de 2026 às 00:43

Fulton Sheen, Vaticano II e a Revolução que Ele Não Viveu para Ver

Com a beatificação de Fulton Sheen, os católicos se perguntam sobre o legado de um dos bispos mais famosos do século XX. Michael J. Matt, editor do The Remnant, oferece uma análise franca: Sheen não deve ser recrutado retroativamente nem como herói tradicionalista nem como vilão modernista, mas como um bom bispo que fez um bem enorme antes do Concílio e que atravessou uma época de subversão sem precedentes que se apresentava como renovação, sem reconhecer — ou sem estar preparado para resistir —

A beatificação do arcebispo Fulton Sheen, que ocorre esta semana, reacendeu entre os católicos a discussão sobre o legado de uma das figuras mais conhecidas do episcopado do século XX. Michael J. Matt, editor do jornal The Remnant, publicou uma análise contundente na qual se recusa a transformar Sheen em mascote tradicionalista ou em vilão modernista. Para Matt, Sheen foi um bom bispo que realizou um bem enorme antes do Concílio Vaticano II, mas viveu um período de subversão sem precedentes que se apresentava como renovação e não reconheceu — ou não estava preparado para resistir — à trajetória revolucionária que se desenrolava diante de seus olhos.

Sheen morreu em 1979. Nunca viu Assis. Nunca viu a Pachamama. Nunca viu a Fiducia Supplicans. Nunca viu a destruição do santuário católico nem o tratamento cada vez mais perturbador dispensado ao Santíssimo Sacramento, temas que Matt examina em seu mais recente episódio do Remnant Underground. Essa constatação cronológica é central para o argumento do editor: a revolução na Igreja Católica que Sheen atravessou não havia se desdobrado completamente quando ele faleceu, de modo que ele não pôde testemunhar suas consequências mais extremas.

Matt recorre à memória pessoal para contextualizar o prelado. Seu próprio pai, Walter Matt, conheceu Sheen pessoalmente. Os arquivos do The Remnant contêm cartas escritas por Sheen durante os anos em que os dois homens estavam em desacordo por causa do Concílio Vaticano II. A razão dessa divergência, segundo Matt, foi a Revolução. Esse detalhe biográfico revela que Sheen não era alheio às tensões de seu tempo, mas estava inserido em um debate intenso sobre o rumo que a Igreja tomava.

Para situar o arcebispo em seu contexto histórico adequado, Michael Matt revisita os notáveis debates católicos de uma era anterior, incluindo as entrevistas de William F. Buckley Jr. com Michael Davies e com o arcebispo Marcel Lefebvre. Naquele período, observa Matt, os católicos ainda podiam debater a crise na Igreja de forma aberta e séria, sem a constante troca de acusações e rótulos que caracteriza os dias de hoje. Essa comparação serve para evidenciar como o debate sobre a crise eclesial já foi intenso e como a confusão sentida por homens de boa vontade diante dos acontecimentos era palpável.

O editor do The Remnant insiste que a Revolução foi calorosamente debatida e que a perplexidade dos bons católicos diante da guinada dos acontecimentos era evidente. Ao recusar tanto a canonização ideológica de Sheen pelos tradicionalistas quanto sua demonização pelos modernistas, Matt propõe uma leitura histórica equilibrada: reconhecer o bem que ele fez antes do Concílio, sem ignorar que ele não resistiu à trajetória revolucionária que se apresentava sob o rótulo de renovação.

A análise também aborda a Nova Missa e o Vaticano II como elementos centrais desse processo revolucionário que Sheen não viveu o suficiente para ver em sua plenitude. Matt convida os espectadores a assistir ao novo episódio do Remnant Underground para ouvir sua avaliação completa sobre Fulton Sheen, o Vaticano II, a Nova Missa e a revolução que o arcebispo nunca chegou a testemunhar em todas as suas consequências.

O artigo é assinado por Michael J. Matt, que dirige o The Remnant desde 1994 e pertence a uma família com 160 anos de tradição jornalística. Ele é fundador da Remnant TV, apresentador do programa Remnant Underground, cofundador e mestre de cerimônias da Conferência de Identidade Católica, coordenador nos Estados Unidos da Notre Dame de Chrétienté em Paris — organização responsável pela peregrinação de Pentecostes a Chartres, na França — desde 2000, e palestrante do Simpósio de Verão do Fórum Romano em Gardone Riviera, na Itália. Matt, sua esposa Carol Lynn e seus sete filhos residem em St. Paul, Minnesota.

A publicação também divulga vídeos-fonte que embasam a discussão, incluindo episódios do programa Firing Line, de William F. Buckley, com o arcebispo Fulton Sheen e com Michael Davies, além do mais recente conteúdo da RTV. O texto encerra com um apelo de apoio para viabilizar a transmissão ao vivo da CIC, convidando os leitores a se inscreverem no Remnant Newspaper e a assinarem a carta eletrônica de Michael Matt.


📎 Fonte original: Remnantnewspaper

📎 Fonte original: Remnantnewspaper

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