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P. Ceriani: Sermão do Décimo Oitavo Domingo depois de Pentecostés – Rádio Cristandade

27 de setembro de 2026 às 04:42

P. Ceriani: Sermão do Décimo Oitavo Domingo depois de Pentecostés – Rádio Cristandade

No sermão do Décimo Oitavo Domingo depois de Pentecostés, o Padre Ceriani exorta os fiéis a viverem na expectativa da Segunda Vinda de Cristo, alertando contra a interpretação simbólica das profecias e recordando os avisos de Deus na história, desde o dilúvio até Sodoma, e os pronunciamentos dos Papas sobre os tempos finais.

No sermão do Décimo Oitavo Domingo depois de Pentecostés, o Padre Ceriani exorta os fiéis a viverem na expectativa da Segunda Vinda de Cristo, alertando contra a interpretação simbólica das profecias e recordando os avisos de Deus na história, desde o dilúvio até Sodoma, e os pronunciamentos dos Papas sobre os tempos finais.

DÉCIMO OITAVO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTÉS

Epístola do dia (I Coríntios, 1, 4-8): Dou graças sem cessar a Deus por vós, pela graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus; porquanto em tudo fostes enriquecidos nele, em toda palavra e em todo conhecimento, na medida em que o testemunho de Cristo foi confirmado em vós. Portanto, não ficais inferiores em nenhum carisma, enquanto aguardais a revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo; o qual vos fará firmes até o fim e irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor.

A Epístola deste Décimo Oitavo Domingo de Pentecostes apresenta o tema da Segunda Vinda de Cristo: A revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo … o dia de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como aos fiéis de Corinto, a Igreja nos exorta com São Paulo a esperar a Parusia… Esperar a Revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo… Uma expectação anelante do dia de Nosso Senhor… Assim como a expectação do Messias dominou a existência humana desde o Éden até Belém; da mesma maneira, a esperança de sua Volta deveria dominar o mundo cristão. Lendo assiduamente o Evangelho, as Epístolas e o Apocalipse, estamos obrigados a crer na volta de Jesus Cristo, obrigados a esperar seu Reino. Que este dia seja próximo ou distante, que o vejamos nós ou não durante nossa peregrinação terrenal, esta esperança é uma força que deve transformar nossa vida espiritual… Mas, sobretudo, esperamos a Jesus por causa de sua Glória!

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É preciso notar aqui que as “señales”, que têm tanta importância para reconhecer a pegada do Senhor, podem também conduzir ao erro o espírito que se apega a ideias preconcebidas. Podemos dizer que os segredos de Deus, confiados a seus servos os Profetas, estão divididos em dois grupos proféticos. O primeiro anunciava o nascimento do Messias, sua vida humilhada, a revelação da lei de graça e, sobretudo, as circunstâncias precisas de sua morte dolorosa. Mas os judeus não pensavam senão em uma certa realeza messiânica, não naquela que Jesus lhes oferecia. Então rejeitaram seu Rei; deixaram na penumbra os sinais e as profecias da humilhação, da dor e da morte. O segundo grupo profético anuncia um Messias glorioso e rei com todos os grandes acontecimentos do fim dos tempos: restauração de Israel e de Jerusalém; volta gloriosa de Cristo para reinar com seus Santos, dia de vingança da justiça divina, depois novos céus e terra nova, um reino sem fim. Estas profecias do Antigo Testamento foram completadas pelo ensinamento de Nosso Senhor, dos Apóstolos e, sobretudo, pelo Apocalipse. O que falseia, e gravemente, o sentido das profecias, é a tendência moderna a não explicá-las literalmente, mas de maneira simbólica ou puramente espiritual, alegoricamente. Além disso, é preciso temer a falta de liberdade de certos espíritos que, submetidos em excesso a ideias preconcebidas, estão inclinados a ler, não o que está escrito, mas o que desejariam encontrar. “Profetiza-nos coisas agradáveis”, pedia o povo a Isaías 30: 9-10, onde o povo antigo pedia aos profetas que não dissessem a verdade, mas mentiras e ilusões que os agradassem. Cito textualmente: “Povo rebelde é este, e são filhos mentirosos; filhos que não querem escutar a Lei de Yahvé; que dizem aos videntes: ‘Não vejais’, e aos profetas: ‘Não nos vaticineis coisas retas; falai-nos de coisas agradáveis, profetizai-nos mentiras’”. Comenta Monsenhor Straubinger: Eis aqui a chave para a história do povo escolhido. Nestas palavras está escrito o motivo de sua rejeição por parte de Deus e sua dispersão entre as nações. Como é possível que um povo participante de tantos privilégios e bênçãos ande errante pelo mundo? Porque não escutaram a Lei de Yahvé. Tal foi, essencialmente, o caso dos judeus. E é o de alguns judaizantes de hoje…

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Para chamar nossa atenção e nos pôr em guarda contra a tendência natural a viver nossa vida sem pensar na proximidade de seu retorno, o Senhor citou o exemplo dos tempos que precederam imediatamente o dilúvio e a destruição de Sodoma. Então os justos, a exemplo de Noé e Lot, serão postos a salvo. Naqueles dias, Deus, em sua misericórdia, deu sinais, como os dá agora. A construção da arca durou cem anos, era um sinal para todo aquele que quisesse considerar o estado da sociedade de então. Deus enviou dois Anjos a Sodoma; foi também um aviso para toda a cidade. Mas enquanto Noé condenava o mundo construindo o instrumento de salvação, que era a arca, seus contemporâneos zombavam dele. E os genros de Lot, a quem este deu aviso na véspera da catástrofe de Sodoma, não lhe creram tampouco. Os incrédulos modernos também zombam de todos aqueles que anunciam o fim dos tempos… Até a véspera desse dia, os homens comerão, beberão, venderão, comprarão, e irão a cada dois anos depositar em uma urna seu religioso tributo a César… Se não velamos, se só nos atraem as vaidades da terra, conseguiremos escapar? “Lembrai-vos da mulher de Lot”, dizia Jesus… Foi convertida em estátua de sal…; como serão deixados do mesmo modo uma das duas mulheres que moerem, um dos dois homens no campo, um dos dois esposos… Haverá, pois, nessa hora trágica, uma separação dos prudentes e dos néscios, dos fiéis e dos infiéis… Assim como Deus pôs Noé ao abrigo na arca e Lot sobre a montanha, assim também Jesus Cristo virá pôr ao abrigo os seus… Tal é o parecer de São Jerônimo: “No momento em que a noite se acaba, no fim dos tempos, é quando Jesus Cristo virá pôr em segurança os seus”.

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Como confirmação, consideremos alguns textos pontifícios: Gregório XVI, Mirari vos, de 15 de agosto de 1832: “Tristes, na verdade, e com ânimo muito pesaroso Nos dirigimos a vós, a quem vemos cheios de angústia ao considerar os perigos dos tempos que correm para a religião que tanto amais. Verdadeiramente, pudéramos dizer que esta é a hora do poder das trevas para peneirar, como trigo, os filhos de eleição. Sim; a terra está de luto e perece, inficionada pela corrupção de seus habitantes, porque violaram as leis, alteraram o direito, romperam a aliança eterna. Referimo-nos, Veneráveis Irmãos, às coisas que vedes com vossos próprios olhos e que todos choramos com as mesmas lágrimas. É o triunfo de uma malícia sem freio, de uma ciência sem pudor, de uma dissolução sem limite. Despreza-se a santidade das coisas sagradas; e a majestade do divino culto, que é tão poderosa como necessária, é censurada, profanada e escarnecida. Daí que se corrompa a santa doutrina e que se disseminem com audácia erros de todo gênero. Nem as leis sagradas, nem os direitos, nem as instituições, nem os santos ensinamentos estão a salvo dos ataques das línguas malvadas. Combate-se tenazmente a Sé de Pedro, na qual Cristo pôs o fundamento da Igreja, e se quebram e se rompem por momentos os vínculos da unidade. Impugna-se a autoridade divina da Igreja e, conculcados seus direitos, se a submete a razões terrenas, e, com suma injustiça, a fazem objeto do ódio dos povos reduzindo-a a torpe servidão. Nega-se a obediência devida aos Bispos, se lhes desconhecem seus direitos. Universidades e escolas ressoam com o clamoroso estrondo de novas opiniões, que não já ocultamente e com subterfúgios, mas com crua e nefária guerra impugnam abertamente a fé católica. Corrompidos os corações dos jovens pela doutrina e exemplos dos mestres, cresceram sem medida o dano da religião e a perversidade de costumes. Daí que, roto o freio da religião santíssima, pela qual somente subsistem os reinos e se confirma o vigor de toda potestade, vemos avançar progressivamente a ruína da ordem pública, a queda dos príncipes, e a destruição de todo poder legítimo. Devemos buscar a origem de tantas calamidades na conspiração daquelas sociedades às quais, como a uma imensa sentina, veio parar quanto de sacrílego, subversivo e blasfemo haviam acumulado a heresia e as mais perversas seitas de todos os tempos”.

São Pio X, E Supremi Apostolatus, de 4 de outubro de 1904: “Os interesses de Deus são Nossos interesses; a eles decidimos consagrar nossas forças e a vida mesma. Daí que se alguém Nos pede uma frase simbólica, que expresse Nosso propósito, sempre lhe daremos apenas esta: ¡Instaurar todas as coisas em Cristo! Certamente, ao nos encarregarmos de uma empresa de tal envergadura e ao intentar levá-la adiante Nos proporciona, Veneráveis Irmãos, uma extraordinária alegria o fato de ter a certeza de que todos vós sereis uns esforçados aliados para levá-la a cabo. Pois se o duvidássemos vos qualificaríamos de ignorantes, coisa que certamente não sois, ou de negligentes ante este funesto ataque que agora em todo o mundo se promove e se fomenta contra Deus; posto que verdadeiramente contra seu Autor se amotinaram as gentes e tramam as nações planos vãos; parece que de todas as partes se eleva a voz dos que atacam a Deus: Aparta-te de nós. Por isso, na maioria se extinguiu o temor ao Deus eterno e não se tem em conta a lei de seu poder supremo nos costumes nem em público nem em privado: ainda mais, se luta com denodado esforço e com todo tipo de maquinações para arrancar pela raiz inclusive a mesma lembrança e noção de Deus. É indubitável que quem considere tudo isto terá que admitir de plano que esta perversão das almas é como uma amostra, como o prólogo dos males que devemos esperar no fim dos tempos; ou inclusive pensará que já habita neste mundo o filho da perdição de quem fala o Apóstolo. Na verdade, com semelhante ousadia, com este desaforo da virtude da religião, se fende por toda parte a piedade, os documentos da fé revelada são impugnados e se pretende direta e obstinadamente afastar, destruir qualquer relação que medeie entre Deus e o homem. Pelo contrário − este é o sinal próprio do Anticristo segundo o mesmo Apóstolo −, o homem mesmo com temeridade extrema invadiu o campo de Deus, exaltando-se por cima de tudo aquilo que recebe o nome de Deus; até tal ponto que − embora não seja capaz de apagar dentro de si a noção que de Deus tem −, após a rejeição de Sua majestade, se consagrou a si mesmo este mundo visível como se fosse seu templo, para que todos o adorem. Se sentará no templo de Deus, mostrando-se como se fosse Deus.”

Bento XV, Ad Beatissimi Apostolorum, de 1º de novembro de 1914: “Apenas Nos foi dado contemplar, de um só olhar, desde a altura da dignidade Apostólica, o curso dos humanos acontecimentos, ao se oferecer a Nossos olhos a triste situação da sociedade civil, Nos experimentamos uma acerba dor. E como poderia nosso coração de Pai comum de todos os homens deixar de se comover profundamente ante o espetáculo que apresenta a Europa, e com ela o mundo inteiro, espetáculo o mais atroz e luctuoso que talvez haja registrado a história de todos os tempos? Parece que, na realidade, chegaram aqueles dias dos quais Jesus Cristo profetizou: Ouvireis falar de guerra e de rumores de guerra… Se levantará nação contra nação”.

Pio XI, Caritate Christi compulsi, de 3 de maio de 1932: “Se percorremos com o pensamento a longa e dolorosa série de males que, triste herança do pecado, têm assinalado ao homem caído as etapas de sua peregrinação terrenal, desde o dilúvio em diante, dificilmente nos encontraremos com um mal-estar espiritual e material tão profundo, tão universal, como o que sofremos [...]”.


📎 Fonte original: Wordpress

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