Em um artigo intitulado "When Horror Stops Consoling: Evil’s Rise in Modern Cinema", publicado no portal Pro Roma Mariana, o autor analisa como o gênero de horror, que historicamente servia como um meio de explorar o mal dentro de um contexto moral, tem se desviado para uma celebração do mal puro e sem esperança. O texto argumenta que, no passado, filmes de horror como "O Exorcista" (1973) ou "Psicose" (1960) apresentavam o mal como algo a ser vencido pela fé, pela razão ou pela justiça, oferecendo ao espectador um consolo ao final, uma restauração da ordem. No entanto, produções recentes, como a série "Hereditário" (2018) e "Midsommar" (2019), de Ari Aster, ou o filme "A Bruxa" (2015), de Robert Eggers, retratam o mal como triunfante, inevitável e até desejável, deixando o público sem qualquer alívio moral.
O artigo destaca que essa mudança não é meramente estética, mas sintomática de uma perda mais ampla do senso de pecado e da necessidade de redenção na cultura ocidental. Cita-se o filósofo católico Romano Guardini, que advertiu que, quando o homem perde a noção do pecado, ele se torna incapaz de reconhecer o mal e, portanto, de resistir a ele. No cinema moderno, o mal é frequentemente apresentado como uma força natural, quase bela, que não precisa ser justificada ou derrotada. Em "Hereditário", por exemplo, a família é destruída por forças demoníacas que não apenas vencem, mas são abraçadas pelo protagonista no final. Não há exorcismo, não há salvação, apenas a consumação do mal.
Outro exemplo citado é o filme "O Farol" (2019), de Robert Eggers, onde dois homens enlouquecem em uma ilha isolada, e o mal surge da solidão e da loucura, sem qualquer intervenção divina ou moral. O artigo observa que, em contraste, clássicos como "O Bebê de Rosemary" (1968) de Roman Polanski, embora perturbadores, ainda mantinham uma estrutura onde o mal era reconhecido como tal e o espectador podia sentir repulsa e medo, mas também uma certa distância crítica. Hoje, o espectador é frequentemente convidado a simpatizar com o mal ou a aceitá-lo como inevitável.
A análise também aborda o papel da tecnologia e dos efeitos especiais. O horror moderno muitas vezes depende de sustos baratos e violência gráfica, em vez de construir uma atmosfera de suspense e reflexão moral. O artigo menciona o filme "A Entidade" (2012) e suas sequências, onde o mal é retratado como uma entidade que simplesmente existe, sem origem ou propósito, e que não pode ser combatida. Isso contrasta com filmes como "O Exorcista", onde o mal era uma presença pessoal, um demônio que podia ser expulso pela autoridade da Igreja.
O artigo conclui que essa tendência reflete uma crise de fé na sociedade contemporânea. Sem a crença em um bem absoluto e em um mal pessoal, o cinema de horror perde sua função catártica e se torna um mero exercício de niilismo. O autor do artigo, identificado como um colaborador do Pro Roma Mariana, um portal católico tradicional, alerta que os católicos devem estar vigilantes quanto ao conteúdo que consomem, pois a arte influencia a alma. Ele recomenda que os fiéis busquem filmes que, mesmo no horror, apontem para a verdade, a bondade e a beleza, e que evitem aqueles que glorificam o mal ou o apresentam como inevitável.
Por fim, o artigo faz um apelo para que os católicos retomem o senso crítico e não se deixem seduzir pela estética do mal. Lembra que, como ensina a Igreja, o mal é uma privação do bem, e não uma força autônoma. Portanto, o verdadeiro horror não está no mal em si, mas na sua aceitação e na perda da esperança na redenção. O cinema moderno, ao abandonar essa esperança, deixa de consolar e passa a corromper.
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Quando o Horror Deixa de Consolar: A Ascensão do Mal no Cinema Moderno
8 de junho de 2026 às 18:30

O cinema contemporâneo testemunha uma transformação alarmante no gênero de horror: o mal, antes representado como uma força a ser combatida ou que oferecia uma catarse moral, agora é frequentemente glorificado e apresentado sem qualquer redenção, refletindo uma crise espiritual mais profunda na sociedade.