O filósofo e blogueiro argentino Caminante Wanderer, em artigo traduzido e adaptado pelo portal, manifestou total concordância com a exclusão do tema litúrgico do próximo Consistório Extraordinário. Segundo ele, a notícia foi recebida como 'o melhor que podia acontecer' nas circunstâncias atuais, evitando que o debate sobre a Missa Tridentina e a reforma litúrgica fosse contaminado por polêmicas excessivas dentro do Colégio Cardinalício.
O programa do consistório, conforme divulgado pelo decano do Sacro Colégio, Cardeal Giovanni Battista Re, focará em três áreas: a situação internacional, a 'Magnifica Humanitas' e o Sínodo. Em carta aos cardeais, Re recomendou uma 'preparação adequada para a assembleia', destacando que a contribuição de cada purpurado será mais frutífera se brotar do contato vivo com o povo de Deus, suas esperanças, perguntas e cansaços.
Esta mudança de pauta em relação ao primeiro consistório de janeiro reflete a decisão da maioria dos cardeais, que na ocasião optou por adiar o debate sobre a liturgia e o documento 'Praedicate Evangelium' para uma data posterior. Naquela oportunidade, a discussão teria sido introduzida pelo Cardeal Arthur Roche, prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cujo texto foi considerado por muitos como excessivamente crítico à forma extraordinária do rito romano.
Roche, em sua intervenção, chegou a negar autoridade ao Motu Proprio 'Summorum Pontificum' de Bento XVI, afirmando que não se pode 'voltar àquela forma ritual cuja reforma os padres conciliares consideraram necessária, sob a guia do Espírito Santo e segundo sua consciência de pastores'. Ele baseou-se no controverso documento 'Traditionis Custodes' do Papa Francisco, que visava 'que a Igreja, na diversidade das línguas, eleve uma única e idêntica oração, que expresse sua unidade'.
Leão XIV, porém, já havia corrigido essa visão em carta aos bispos franceses, recomendando 'soluções concretas que permitam uma generosa inclusão daqueles que sinceramente se apegam ao Vetus Ordo, segundo as diretrizes estabelecidas pelo Concílio Vaticano II para a liturgia'. Embora a linha de tolerância para com a forma extraordinária do rito romano provavelmente já tenha conquistado a maioria no Sacro Colégio, iniciar um debate com base em um texto tão rejeitador como o de Roche não teria ajudado.
Além disso, o fato de as ordenações episcopais da Fraternidade Sacerdotal São Pio X ocorrerem dois dias após o término do consistório torna o ambiente ainda menos propício para uma discussão serena e objetiva sobre a liturgia. O risco de polarização e endurecimento de posições entre os cardeais seria elevado, prejudicando o diálogo construtivo.
Wanderer conclui que o conselho do Cardeal Re sobre a preparação dos cardeais, baseada no contato com o povo fiel, seria particularmente benéfico para o Cardeal Roche, caso ele decidisse prestar atenção às esperanças, perguntas e dificuldades dos mais de 20 mil jovens fiéis ligados à Missa Tridentina que participaram da peregrinação de Paris a Chartres no Pentecostes. Tal atitude seria uma prova da 'nova maneira de olhar uns para os outros, com maior compreensão dos sentimentos alheios', à qual Leão XIV exortou os bispos franceses.
