O arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos Estados Unidos e figura de destaque entre os católicos tradicionalistas, voltou a criticar publicamente o Papa Leão XIV. Desta vez, o motivo foi a viagem do pontífice à França, onde, segundo Viganò, Leão XIV teria elogiado o Iluminismo, a liberdade religiosa e a Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). Para o arcebispo, tais declarações representam uma ruptura com o ensinamento de papas anteriores e constituem "o exato oposto do Magistério" da Igreja Católica.
Em vídeo divulgado pelo LifeSiteNews, Viganò destacou que a postura de Leão XIV contradiz séculos de doutrina católica. O Iluminismo, movimento filosófico que exaltou a razão humana em detrimento da revelação divina, foi condenado por diversos pontífices, especialmente no século XIX. A liberdade religiosa, entendida como um direito absoluto de professar qualquer crença, também foi rejeitada por papas como Pio IX, que a considerava um erro condenado no Syllabus Errorum. Já a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, embora tenha aspectos positivos, é vista por setores tradicionalistas como ambígua em relação ao direito natural e à lei divina.
Além disso, o arcebispo criticou a participação do Papa Leão XIV em um encontro inter-religioso, no qual o pontífice assinou um compromisso de diálogo e fraternidade entre as diversas religiões. Para Viganò, essa atitude contrasta com o ensinamento tradicional da Igreja, que sempre afirmou que a paz verdadeira só pode ser alcançada por meio da conversão a Cristo e do reconhecimento de Sua soberania. O arcebispo recordou que a missão da Igreja é evangelizar e levar as nações ao batismo, não promover um ecumenismo que relativiza a verdade.
A fala de Viganò ocorre em um contexto de crescente tensão entre setores tradicionalistas e o Vaticano. Desde o pontificado de Francisco, e agora com Leão XIV, grupos católicos fiéis à Tradição têm manifestado preocupação com o que consideram uma deriva progressista da Igreja. A defesa da liberdade religiosa e do diálogo inter-religioso, embora apresentada como busca de paz, é vista por esses grupos como um abandono da missão salvífica da Igreja e uma concessão ao secularismo moderno.
Enquanto isso, outro fato noticiado pelo LifeSiteNews chama a atenção: cerca de 200 peregrinos, incluindo famílias e crianças, foram impedidos de entrar no Santuário dos Mártires, em Ontário, no Canadá, pela Arquidiocese de Toronto. Diante da negativa, os fiéis celebraram a Santa Missa em um campo próximo. O episódio evidencia a crescente restrição a grupos tradicionalistas em algumas dioceses, que alegam motivos disciplinares ou de obediência, mas são acusados de perseguição religiosa.
A LifeSiteNews também está colocando outdoors na cidade de Nova York para a festa de São Miguel Arcanjo, proclamando que Cristo é Rei. A iniciativa faz parte da campanha da organização para afirmar a realeza social de Cristo, doutrina central do catolicismo tradicional, especialmente após o centenário da encíclica Quas Primas, de Pio XI. Os outdoors buscam chamar a atenção dos transeuntes para a verdade de que toda autoridade humana deve se submeter a Cristo.
A crítica de Viganò a Leão XIV não é um caso isolado. O arcebispo tem sido um dos mais ferrenhos opositores das mudanças pós-conciliares e das políticas do Vaticano atual. Suas declarações costumam gerar polêmica e dividir opiniões, mas encontram eco significativo entre os católicos que se identificam com a Missa Tridentina e com a doutrina tradicional. Para eles, a fidelidade ao Magistério perene é inegociável, e qualquer desvio, mesmo por parte do Papa, deve ser denunciado.
Procurado, o Vaticano não se pronunciou sobre as declarações de Viganò até o fechamento desta matéria. A reportagem do sedevacante.com.br continuará acompanhando os desdobramentos desse embate entre o arcebispo e o Papa Leão XIV, que expõe fissuras profundas no seio da Igreja contemporânea.
📎 Fonte original: Lifesitenews
