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95 anos contra a corrente: Stanislav Sousedík, o filósofo tomista que desafiou o regime comunista

29 de setembro de 2026 às 00:37

95 anos contra a corrente: Stanislav Sousedík, o filósofo tomista que desafiou o regime comunista

O filósofo e tomista tcheco Prof. Stanislav Sousedík completou recentemente 95 anos de idade. Fora das fronteiras da República Tcheca, quase ninguém notou. E, no entanto, sua trajetória de vida, tanto humana quanto intelectual, merece ser contada. De tradutor de Santo Tomás na juventude a uma das vozes mais rigorosas da filosofia escolástica europeia, Sousedík atravessou o comunismo sem ceder, defendeu a revelação como verdade objetiva e, aos 95 anos, continua a perturbar a tranquilidade daqueles que pensavam que o cristianismo tradicional já havia se acomodado.

O filósofo e tomista tcheco Prof. Stanislav Sousedík completou recentemente 95 anos de idade. Fora das fronteiras da República Tcheca, quase ninguém notou. E, no entanto, sua trajetória de vida, tanto humana quanto intelectual, merece ser contada. De tradutor de Santo Tomás na juventude a uma das vozes mais rigorosas da filosofia escolástica europeia, Sousedík atravessou o comunismo sem ceder, defendeu a revelação como verdade objetiva e, aos 95 anos, continua a perturbar a tranquilidade daqueles que pensavam que o cristianismo tradicional já havia se acomodado.

O filósofo e tomista tcheco Prof. Stanislav Sousedík completou recentemente 95 anos de idade. Fora das fronteiras da República Tcheca, quase ninguém notou. E, no entanto, sua trajetória de vida, tanto humana quanto intelectual, merece ser contada. Para fazê-lo, é preciso começar com uma cena, não com um currículo.

Praga, 1950. Sousedík ainda não tem vinte anos. Durante o ginásio, atravessou o panteísmo e o ceticismo relativista antes de chegar à fé católica e ao tomismo. Seu pai acolhe sua conversão com respeito, mas lhe assegura, sorrindo, que ele ainda mudaria sua visão de mundo muitas vezes antes de ser adulto. Essa previsão não se cumpriria. Ainda como estudante, Sousedík traduz o De ente et essentia de Santo Tomás de Aquino para o tcheco e leva pessoalmente o manuscrito à editora Vyšehrad. Lá, o redator Rudolf Voříšek o recebe com gentileza, mas com uma tristeza que o jovem não compreende. Pouco depois, Voříšek é preso e não retorna mais do cárcere. A tradução teria de esperar quase meio século antes de ser publicada.

Essa cena antecipa, de certo modo, toda a vida de Sousedík. Duas vezes, por motivos ideológicos, foi-lhe negada a admissão à Faculdade de Filosofia da Universidade Charles. Durante alguns anos, pôde estudar na Faculdade de Teologia Católica, então transferida para Litoměřice, sem, contudo, concluir o curso. Em seguida, matriculou-se na Escola Superior de Economia de Praga, da qual foi excluído por causa de seu apostolado leigo, isto é, por sua atividade religiosa entre os colegas. Após o serviço militar, que prestou de 1956 a 1958 em um batalhão técnico de construção, trabalhou durante quatro anos como operário da construção civil, aprendendo também o ofício de instalador. Mesmo nessas condições, não abandonou a filosofia: continuou estudando e organizou pequenos grupos nos quais ministrava aulas clandestinas.

Somente em 1964 conseguiu matricular-se como estudante externo na Faculdade de Filosofia da Universidade Charles, onde estudou filosofia e alemão. Concluiu o curso com um trabalho sobre o jesuíta escolástico Rodrigo de Arriaga e obteve, em 1969, um diploma de filosofia. Desde 1965, assistia também às aulas de Jan Patočka e, mais tarde, integrou o círculo de seus últimos discípulos. Em 1968, iniciou atividade científica no Instituto de Filosofia da Academia Tchecoslovaca de Ciências, mas foi demitido três anos depois por motivos políticos. Embora tivesse concluído uma dissertação sobre Estanislau de Znaim, foi-lhe negado o título de candidato às ciências. De 1972 a 1989, dedicou-se à edição crítica das obras latinas de Comenius e consagrou o tempo livre restante ao estudo da Segunda Escolástica.

A queda do regime comunista mudou, finalmente, o curso de sua vida. Em 1990, já com quase sessenta anos, pôde assumir a docência na Faculdade de Filosofia da Universidade Charles. Em 1991, obteve a habilitação, e em 1993 foi nomeado professor catedrático. Sousedík levou à universidade tcheca um propósito claro: renovar a tradição escolástica por meio do diálogo com a lógica e a filosofia analítica contemporânea. Em torno dele, formou-se uma escola de escolástica analítica que investiga não apenas Santo Tomás de Aquino, mas também Duns Scotus, Suárez e os grandes representantes da Segunda Escolástica. Em 2004, fundou, juntamente com alguns de seus discípulos, a revista internacional Studia Neoaristotelica.

Aos noventa e cinco anos, Sousedík fecha de certo modo o círculo que aquele manuscrito de 1950 havia aberto. No último dia 2 de junho, apresentou em Praga seu mais recente livro: Obrana tradičního křesťanství — Defesa do cristianismo tradicional. É significativo que tenha composto essa obra numa idade em que, segundo as concepções modernas, deveria dedicar-se sobretudo ao repouso. Em vez disso, prefere perturbar a tranquilidade daqueles que pensavam que o cristianismo tradicional havia muito começara a se acomodar.

O ponto de partida do livro é a constatação de que a apologética cristã praticamente desapareceu. Segundo Sousedík, a causa disso não está apenas na fraqueza dos cristãos. Decisiva é, antes, uma compreensão alterada da própria revelação. A apologética pressupõe que existe um conteúdo de verdade determinado, revelado por Deus, que pode ser expresso em afirmações verdadeiras e, por isso, defendido contra objeções. Se, ao contrário, a revelação não é mais entendida como comunicação de uma tal verdade permanente, mas como um acontecimento divino que atua na história, pelo qual a verdade só se desvela gradualmente, então também muda a tarefa da apologética. Já não existe uma verdade recebida de uma vez por todas, que deva ser conservada e defendida. Em seu lugar, surge a exigência de engajar-se no processo histórico — ou, na formulação hoje mais difundida, de abrir-se ao mundo.

Sousedík defende, ao contrário, a revelação como verdade objetiva, que não se deixa reduzir nem à experiência subjetiva nem ao devir histórico. No centro de suas reflexões está, portanto, a relação entre tempo, história e verdade: precisamente o problema com que, em Roma, o Padre Cornelio Fabro se confrontou em sua crítica ao princípio moderno da imanência e à virada antropológica. A esse paralelo o autor se referirá nos próximos dias em Praga, no âmbito da conferência organizada por ocasião do 95º aniversário do filósofo tcheco.

O regime havia tentado banir Sousedík para um canteiro de obras e para entre as páginas latinas de Comenius. Não conseguiu. Após 95 anos de vida, ele é uma das vozes mais rigorosas da filosofia escolástica europeia e continua a defender aquilo que muitos, entretanto, consideravam definitivamente superado: a capacidade da razão de conhecer a verdade e o caráter objetivo da revelação cristã. Ad multos annos.

*Ľubomír Urbančok é sacerdote da Arquidiocese de Trnava. Estudou Física na Universidade Charles de Praga, Filosofia na Universidade Comenius de Bratislava e Teologia na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma. Após a ordenação sacerdotal, atuou na paróquia de Komorn e, em seguida, como secretário do Arcebispo de Trnava. Atualmente estuda Dogmática no Angelicum, em Roma. É capelão da Associação para o Rito Romano Tradicional na Eslováquia e mantém o site oteclubomir.sk.

Tradução: Giuseppe Nardi Imagem: Corrispondenza Romana

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