Em uma entrevista ao escritor e podcaster católico Matt Gaspers, o Bispo Athanasius Schneider, de Astana, Cazaquistão, fez duras críticas à situação atual da Igreja Católica. Segundo o prelado, um "número notável de clérigos de alta patente" perdeu a fé católica e deseja uma Igreja diferente: "meio protestante, meio mundana, adaptada à impressão do mundo".
O bispo destacou que esse fenômeno se intensificou nos últimos 60 anos, tendo como marco o encerramento do Concílio Vaticano II em 1965. "Há um número notável deles ao longo dos últimos 60 anos. Eles têm influência na Igreja... Promoveram isso com convicção interior, um desejo de realmente mudar a fé católica, adaptá-la completamente ao mundo e ter uma nova religião que é relativista, uma espécie de sincretismo", afirmou Schneider.
Schneider, conhecido por suas posições tradicionalistas, tem criticado abertamente o Vaticano II e a perda de ensinamentos claros e tradicionais que se seguiu ao concílio. Ele disse que é "difícil" determinar quais membros do clero têm a atitude de "mudar a fé católica", mas que é possível declarar o resultado, os "frutos": "Uma tremenda confusão geral, ofuscação, escuridão em relação à doutrina, moral e liturgia".
Durante a entrevista, Gaspers e Schneider concordaram que o próprio Vaticano II é problemático devido às suas declarações ambíguas, que podem ser interpretadas de maneira herética. Gaspers perguntou a Schneider por que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) está sendo solicitada pelo Cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF), a aceitar incondicionalmente o Vaticano II como condição para ser considerada "católica".
O bispo lembrou que papas passados exigiram o mesmo do fundador da FSSPX, Arcebispo Marcel Lefebvre. Schneider afirmou que pedir a alguém para dizer que o Vaticano II é consistente com a tradição é pedir "violência à sua razão" ou um "exercício de acrobacia mental". Ele apontou que o Papa Francisco, assim como o Papa Leão, apresentou suas inovações doutrinariamente "questionáveis" como um "desenvolvimento dos ensinamentos do Vaticano II".
"Mas vemos que é um desastre. Se o fruto é apenas confusão, ambiguidade — como pode a ambiguidade ser a voz do Espírito Santo?", questionou Schneider. "Ninguém dá a vida por algo que é ambíguo", concluiu o bispo.
