O padre Joseph Fessio, S.J., fundador da Ignatius Press, apresenta objeções teológicas e pastorais à instituição do ministério de acólitas e leitoras para mulheres, questionando a compatibilidade dessa prática com a tradição da Igreja e com o sacerdócio ministerial reservado aos homens.
O padre Joseph Fessio, S.J., conhecido teólogo e fundador da editora Ignatius Press, manifestou publicamente suas objeções à recente decisão do Papa Francisco de permitir que mulheres sejam instituídas nos ministérios de acólita e leitora. A medida, anunciada por meio do motu proprio Spiritus Domini, alterou o Código de Direito Canônico para permitir que mulheres exerçam esses ministérios de forma estável e oficial, algo que anteriormente era reservado apenas aos homens.
Em sua argumentação, o padre Fessio sustenta que a decisão, embora possa parecer uma simples extensão de funções já exercidas por mulheres na prática litúrgica, representa um passo problemático em direção à confusão entre o sacerdócio ministerial e o sacerdócio comum dos fiéis. Ele recorda que a Igreja sempre ensinou que o sacerdócio ministerial é reservado aos homens, conforme a tradição constante e o Magistério, e que qualquer medida que pareça aproximar as mulheres do altar pode gerar ambiguidade doutrinal.
O sacerdote jesuíta também destaca que a instituição formal desses ministérios não é meramente administrativa, mas carrega um significado teológico profundo. Ao instituir mulheres como acólitas e leitoras, a Igreja estaria, segundo ele, criando uma expectativa equivocada de que o diaconato feminino ou mesmo o sacerdócio feminino poderiam ser admitidos no futuro, o que contraria a doutrina católica definida por João Paulo II na Ordinatio Sacerdotalis.
Além disso, o padre Fessio aponta para o risco de que a medida seja interpretada como uma concessão ao espírito do tempo, em vez de uma decisão pastoral fundamentada na Tradição. Ele lembra que a Igreja já permitia, em muitos lugares, que mulheres proclamassem as leituras e auxiliassem na distribuição da comunhão, mas sempre de forma extraordinária e sem instituição formal. A formalização, portanto, não traria benefícios pastorais substanciais e poderia causar divisão.
O teólogo também cita exemplos históricos e documentos magisteriais para reforçar seu argumento. Ele recorda que a instrução interdicasterial Ecclesiae de mysterio, de 1997, já estabelecia que os ministérios de leitor e acólito, quando exercidos de forma estável, eram reservados a homens, precisamente para evitar confusão com o ministério ordenado. A mudança atual, segundo ele, rompe com essa lógica de continuidade.
Por fim, o padre Fessio conclui que, embora acate a autoridade do Santo Padre e não questione a validade jurídica da decisão, sente-se no dever de manifestar sua preocupação pastoral e teológica. Ele exorta os fiéis a rezarem pela Igreja e a manterem a fidelidade à doutrina católica, evitando interpretações que possam levar a desvios doutrinais ou a uma clericalização indevida do laicato feminino.
📎 Fonte original: Adelantelafe
📷 Foto: cottonbro studio via Pexels — A priest in vestments prays quietly in a sunlit church interior, creating a serene and solemn atmosphere.
