O artigo intitulado "Ss Primus and Felician, and the Emptying of the Catacombs", publicado no site New Liturgical Movement, levanta uma grave preocupação sobre o destino das relíquias dos mártires nas catacumbas romanas. O texto denuncia que, ao longo dos séculos, especialmente após o Concílio Vaticano II, os corpos dos santos foram sendo sistematicamente removidos de seus túmulos originais nas catacumbas e transferidos para igrejas ou museus, muitas vezes sem a devida veneração litúrgica.
O caso específico dos Santos Primus e Feliciano, mártires do século III, é emblemático. Seus corpos, que repousavam na Catacumba de São Sebastião, foram transladados para a Igreja de Santo Estêvão Rotondo, mas mesmo ali não encontraram descanso definitivo. O artigo critica a mentalidade moderna que trata as catacumbas como meros sítios arqueológicos, e não como lugares sagrados de culto e memória dos mártires.
O texto aponta que o esvaziamento das catacumbas começou já na Idade Média, com a transladação de relíquias para proteger os corpos das invasões bárbaras. No entanto, o processo se intensificou nos últimos séculos, especialmente com as reformas litúrgicas pós-conciliares, que diminuíram a ênfase na veneração das relíquias e na memória dos mártires.
O artigo cita o exemplo do Papa São Dâmaso I, que no século IV promoveu a restauração e decoração das catacumbas, incentivando a peregrinação e o culto aos mártires. Em contraste, a abordagem atual, segundo o autor, é de abandono e descaso, com as catacumbas sendo transformadas em atrações turísticas vazias de significado espiritual.
O autor conclui que o esvaziamento das catacumbas é um sintoma de uma crise mais ampla na Igreja: a perda da memória dos santos e da ligação com as raízes martiriais do Cristianismo. Ele defende que é urgente restaurar a veneração das relíquias e a peregrinação aos túmulos dos mártires, como forma de reavivar a fé e a identidade católica tradicional.
O artigo termina com um apelo à redescoberta do significado teológico e litúrgico das catacumbas, que não são apenas monumentos históricos, mas testemunhos vivos da fé dos primeiros cristãos, que deram a vida por Cristo. A remoção dos corpos dos santos, portanto, não é apenas um ato administrativo, mas um empobrecimento espiritual que deve ser revertido.
