Muitas vezes ouvimos falar de Nossa Senhora das Dores, mas pensamos nas alegrias de Maria? O artigo do Pe. Hervé Gresland, publicado pelo portal LPL, percorre as alegrias da Santíssima Virgem, desde a Natividade de Jesus até a sua Assunção, mostrando como a Mãe de Deus foi cumulada de gozo em todos os mistérios de sua vida e como ela é, para nós, a 'causa de nossa alegria'.
Muitas vezes ouvimos falar de Nossa Senhora das Sete Dores. Mas pensamos nas alegrias de Maria, associamo-nos com frequência ao seu Magnificat? O artigo do Pe. Hervé Gresland, publicado originalmente em francês pelo portal LPL, convida-nos a contemplar o itinerário de alegria da Santíssima Virgem, desde o nascimento do Verbo encarnado até a sua Assunção ao céu.
A alegria da Natividade
O Verbo encarnado quis que a sua entrada neste mundo fosse objeto de uma grande alegria. É o que o anjo diz aos pastores: 'Eis que vos anuncio uma grande alegria, que será a de todo o povo: hoje vos nasceu um Salvador, que é o Cristo Senhor'. Dessa alegria, a Virgem Maria foi a primeira a saboreá-la. Ela pode agora ver e tocar o seu Filho. Alegra-se com tudo o que acontece, como a vinda dos pastores que contam como foram avisados pelos anjos cantando 'Glória a Deus' no céu de Belém. Depois, a vinda dos magos conduzidos por uma estrela. A respeito deles, o evangelista observa: 'Ao verem a estrela (que parou sobre o lugar onde estava o menino), experimentaram uma grandíssima alegria'. Quanto maior não deve ter sido a alegria da própria Maria! Ela vê naqueles homens vindos de tão longe o anúncio dos pagãos que mais tarde crerão em Jesus. Seja em relação aos pastores ou aos magos, ela conhece a alegria de apresentar Jesus aos homens que ele veio salvar.
Todas as alegrias que vieram a Maria de seu Filho e de sua maternidade
Que alegria para Maria olhar e admirar seu filho, abraçá-lo, apertá-lo contra si, amamentá-lo: são alegrias de mãe, que Maria certamente sentiu. O monge beneditino Eadmer escreve (no século XII) que, quando Maria segurava Jesus nos braços, ela estava 'transbordante de alegria e de felicidade'. Que alegria ter Jesus junto de si, receber 'o sorriso e as ternuras de um filho que era ao mesmo tempo o Filho de Deus' (Pio XII). Maria está toda na alegria de que um tal tesouro lhe seja dado de modo tão real, tão perfeito! Não é um sentimento possessivo, como pode acontecer no amor materno. Mas qual pode ser a alegria da Santíssima Virgem ao contato permanente de um ser tão maravilhoso como era Jesus! De toda a sua alma ela magnifica o seu pequeno Deus. Alegria dos longos anos de intimidade com ele. Sempre com ela, bem submisso, encantador menino, encantador jovem, Jesus foi as delícias de todos e principalmente de sua mãe. Estamos certos de que ele a cercou de uma piedade filial infinitamente delicada e afetuosa. Não foi por isso que a fez tão pura, tão bela, tão perfeita, e a cumulou de privilégios absolutamente únicos? Ele amou sua mãe mais do que todas as outras criaturas. Jesus habita o pensamento e o coração de sua mãe, que só vive para ele, faz um só com ele, não tem vontade senão para ele. E ela transborda de alegria. Essa alegria é um sentimento muito interior, que se espalha em todos os momentos e em todos os atos da vida. Mas, ao mesmo tempo, sem ser exuberante, ela reflui e se comunica ao exterior. Aqueles que viam a Santíssima Virgem deviam ficar impressionados pela alegria que emanava dela, que irradiava em seu rosto radioso.
Perto do fim da vida de Jesus, a alegria que Maria sente é misturada de tristeza, sem contudo ser propriamente diminuída. A alegria nunca deixa sua alma, pois há alegria em se sacrificar pelo ser amado. Concorrer, em sua humilde parte, para estender o reino de seu Filho, é toda a alegria de Maria, é para ela a única coisa que conta. Mas, com isso, do lado do gênero humano, nossa Mãe vê com angústia a oposição levantar-se contra seu Filho, ela vê um ódio satânico. Ela vê almas cair numerosas no inferno. Alegria de admiração diante da grandeza e da força de alma de Jesus face a toda provação, singularmente durante a sua Paixão. Aconteça o que acontecer a seu divino Filho, ela terá a alegria de segui-lo e de partilhar completamente o seu destino.
Sim, a Paixão de Jesus é uma das alegrias da Santíssima Virgem. Estêvão de Salley, abade cisterciense inglês do século XIII, inclui a Paixão em sua lista das alegrias mariais, e comenta: 'Alegrai-vos, gloriosíssima Mãe de Deus, pois vistes vosso filho muito amado resgatar o mundo.' Santa Matilde menciona também a Paixão do Filho entre as alegrias da Mãe. Esse pensamento parece ter sido familiar nos séculos XIV e XV. Eis uma 'alegria' num texto daquela época: 'Muito doce senhora, em nome dessa grande alegria que sentistes quando vosso doce Filho sofreu morte e paixão para nos resgatar da morte do inferno…' Pode-se ao mesmo tempo afligir-se e alegrar-se. Como seu Filho, e guardadas as proporções, no Calvário Maria conheceu em si essa união perfeita da alegria extrema com a dor mais viva. Ela sabe com certeza que grandes coisas estão sendo realizadas, ela é 'feliz porque seu Filho se imolava pela salvação do gênero humano'. Ela sabe, como Jesus, que, por meio de sua Paixão, ele iria atrair tudo ao seu Pai e a si mesmo. Ela não está desmoronada, ela é mesmo feliz de sofrer tanto, pois é por Jesus e com ele. Quando se ama verdadeiramente, quando se ama com um grande amor, ama-se até o sacrifício; e o sacrifício é transfigurado pelo amor. Sem dúvida, custa sempre sacrificar-se, sem o que não seria sacrifício. Mas sacrificar-se quando se ama tanto traz também uma alegria que supera tudo. Se o Coração de Maria é dilacerado, suas dores são acompanhadas de uma alegria profunda, pois a grandeza da alegria é proporcional à grandeza do amor. Foi ao pé da cruz que Maria nos deu à luz à graça, à vida divina: que alegria para ela tornar-se assim a mãe de tantos filhos! Alegria de colaborar, para a glória de Deus, na salvação dos homens, o objetivo mais elevado que pode existir. Entrar tão plenamente no mistério de nossa redenção foi para nossa Mãe uma espécie de cúmulo na alegria.
As alegrias dos mistérios gloriosos
Nossa Senhora teve da Ressurreição de seu Filho uma alegria suprema. Embora os Evangelhos não falem disso, é certo que a primeira aparição de Jesus ressuscitado foi para sua mãe, que ele sempre quis associar aos grandes momentos de sua vida. Esse momento de intimidade entre Jesus e ela foi algo indizível, cheio de alegria e de doçura para ambos, que eles quiseram reservar em segredo. A hora da Ascensão devia trazer a Jesus a alegria completa, e assim ele quis que sua saída deste mundo e sua entrada no céu fosse para seus amigos objeto de uma grande alegria: 'Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que eu vou ao Pai'. 'Se me amásseis': ninguém, portanto, teve parte nesse grande momento de alegria, em que Nosso Senhor deixa entrever aos seus a sua glória do céu, tanto quanto a Santíssima Virgem. Antes de subir para seu Pai, Jesus prometeu a seus discípulos que lhes enviaria um Consolador admirável, o Espírito Santo. Essa promessa foi cumprida no dia de Pentecostes: dia de graças maravilhosas e de alegrias totalmente divinas, esse dia da descida do Espírito Santo, pois a alegria é um fruto do Espírito Santo. Essa felicidade foi, antes de qualquer outro, para a Santíssima Virgem, que recebeu o Espírito Santo com profusão mais que todos os discípulos. A alegria de Maria em seus últimos anos devia ser uma alegria bem bela de se ver, bem doce de se aproximar. Uma alegria que ainda era da terra, mas que por sua elevação já avançava no céu. Maria está na pura alegria de saber Jesus na plenitude da glória. Ela não tem mais sua presença visível; mas no fundo essa ausência não é uma ausência. A eternidade se aproxima: rever Jesus e estar com ele eternamente, eis agora a grande fonte da esperança e da alegria para Maria. A Santíssima Virgem não podia conhecer como nós a doença ou a velhice. Ela morreu de amor, de seu grande amor. Ora, esse amor era para ela toda alegria: pode-se, portanto, concluir que ela morreu numa imensa alegria. A alegria de ir ver Deus a fez subir para ele.
A alegria reservada a Maria em sua própria Assunção
É nesse mistério que ela pôde saborear a consumação da alegria. As alegrias que conhecera anteriormente eram, por sua condição, alegrias do exílio; esta é a alegria da pátria. Na Assunção, a comunicação do dom recebido, o abrasamento do coração e seu transporte em Deus, o apego ao seu Bem-Amado atingiram seu cume. No céu, onde ela reina doravante, Nossa Senhora conhece a alegria em sua realização perfeita e definitiva. Ela entrou inteiramente 'na alegria de seu Senhor', segundo a palavra de Jesus ao servo fiel. Alegria de ver a Santíssima Trindade. Alegria de ver Jesus e de possuí-lo para sempre. Alegria de se ver tão amada por Deus, acima de todas as criaturas. Alegria por tudo o que Deus fez por ela, por sua munificência a seu respeito. Alegria das homenagens e dos louvores que ela recebe das criaturas, anjos e homens, e que sobem para ela de toda parte: da terra, do purgatório e do céu, singularmente do coração de seus fiéis servidores – à frente dos quais está São José, o esposo que Deus lhe deu. Alegria de colaborar de maneira incomparável na salvação e santificação dos homens. Em suma, alegria daquela que foi a Filha de Deus, e a Mãe de Deus, e a Esposa de Deus; e a Mãe de toda a humanidade redimida, da Igreja, e na Igreja de tantas almas maravilhosas, que lhe devem a ela, depois de Deus, suas maravilhas.
Os dois sentidos da expressão Nossa Senhora da Alegria
Terminemos observando que o vocábulo Nossa Senhora da Alegria pode ser entendido de duas maneiras, que se completam. A primeira maneira, que vimos, é que Deus a encheu ela mesma de alegria. Pode-se entendê-lo de uma segunda maneira. Em suas ladainhas, a Igreja nos faz invocá-la como 'causa de nossa alegria'. E isso é tão verdadeiro quanto belo. Sua alegria, a Virgem não a guardou para si, mas a deixou transbordar sobre nós. Ela a dá a quem vai até ela e a reza. Podemos meditar a alegria que Maria nos causa: Porque ela nos deu o Salvador. Estávamos sob o peso do pecado: com ela, a consolação e a alegria desceram sobre a terra. Porque ela contribuiu para nossa salvação de maneira única. Porque simplesmente ela é o que é, um modelo de caridade e de todas as virtudes, um modelo que nos dá bálsamo ao coração. Se não tivéssemos a Virgem Maria, sua bondade, sua beleza, sua pureza, quanta alegria a menos para nós! Pela glória que ela tem no céu. Por seu papel para nós junto de Jesus. Porque, como nossa mãe sobrenatural e nossa medianeira de graças, ela não cessa de estar na origem de toda felicidade espiritual. Enfim, porque, no céu, ela será, depois de Deus e da santa humanidade de Jesus, nossa alegria mais intensa e mais doce. A Igreja, que figurava o povo escolhido, gosta de cantar-lhe: 'Vós sois a alegria de Israel'. Se há uma devoção à Santíssima Virgem que convenha a muitas almas de nosso tempo, parece bem que seja essa. Não se contam mais, com efeito, as almas mais ou menos desamparadas, desorientadas, em nosso triste mundo desumanizado, invadido pela...
📎 Fonte original: Laportelatine
