A Hora Santa concebida pelo Padre Mateo Crawley-Boevey para a Adoração Noturna ao Sagrado Coração nos lares é um convite à intimidade com Jesus Eucarístico. Nesta hora de reparação, a alma é chamada a acompanhar o Mestre em sua agonia no Getsêmani, consolando-O das ingratidões e blasfêmias dos homens e oferecendo-Lhe amor desagravado.
Padre Mateo Crawley-Boevey - HORA SANTA DE OUTUBRO – RÁDIO CRISTANDADE. Nota: A Hora Santa foi concebida pelo Padre Mateo Crawley como parte da Adoração Noturna ao Sagrado Coração nos lares; portanto, é aconselhável rezá-la em família, assumindo os pais e os filhos a leitura dos distintos protagonistas.
(Lento:) É esta uma hora três vezes santa, pela proximidade de Jesus Cristo às nossas almas pobrezinhas... A ferida sempre aberta de seu peito fala-nos da terra e o força docemente a atender, ao mesmo tempo que os cânticos do céu, as súplicas e os gemidos que sobem do desterro... Ele avança agora para o abismo de nosso nada, sedento de almas... Avancemos também nós para o abismo de seu Coração até sucumbir dichosamente n'Ele... ¡Senhor Jesus, fazei que compreendamos o dom inefável de vosso Divino Coração!... (Breve pausa)
(Pedi-lhe luz de fé para conhecê-Lo, caridade abrasadora para amá-Lo e para fazê-Lo amar em seu Sagrado Coração). Getsêmani, o Horto da agonia mortal do Mestre, não desapareceu: perpetua-se em cada Sacrário da terra... Ele está aqui, pois, na Hóstia... Nela Jesus agonizante sente os desfalecimentos de uma angústia suprema e de uma caridade incontível... "Triste até a morte nesse Tabernáculo. Ele anseia, oh, dulcíssima misericórdia!, encontrar uma reparação, descansar em nossos peitos e confiar-nos aí todo o tesouro de quebranto e de carinho em que transborda seu adorável Coração... A terra em que agora O adoramos é terra santa... Aqui está realmente Jesus, o Adolescente encantador de Nazaré...; Jesus, o Mestre compassivo de Tiberíades... Aqui está Jesus, o Amigo de Betânia... Sim, aqui, a dois passos, está o amável moribundo de Getsêmani, a Vítima adorável do Calvário... ¡Oh, noite mais formosa que alvorada!... À sua sombra, de inefável paz, São João e Margarida Maria parecem aproximar-se deste altar para compartilhar conosco o segredo que, ao descansar sobre seu Coração, lhes confiou o Prisioneiro do amor... (Pausa)
(Declarai-lhe em doce intimidade que O amais com toda a alma, com amor de desagravo). ¡Sozinhos com Jesus!... ¡Que delícia!... ¡Sozinhos com Ele, compartilhando sua solidão e sua agonia!... Mas escutai; lá fora ruge uma tormenta de ódio contra o perseguido Jesus Cristo... O eco dos séculos vai gritando ante as grades de sua prisão a blasfêmia horrenda do povo deicida: "¡Tirai-O!... Réu é de morte... ¡Crucificai-O!" ¿Que mal nos fez esse Deus ensanguentado?... Almas piedosas que desejais consolá-Lo, vede-O chegar nesta Hora Santa agoniado sob o peso de sua Cruz... Vem ferido na alma, percorrendo uma Via Dolorosa que parece não ter término... Vem, mas abraçado sempre a seu patíbulo. ¡Nos ama tanto! Vede-O. Chega angustiado, perdida a formosura de seus olhos na formosura de suas lágrimas. Vem exausto de sangue e transbordante em misericórdia seu doce Coração... Já está aqui... ¡Oh, mistério inefável!... Se compreendêssemos o dom dessa aproximação de Jesus, a graça incomparável de sua vizinhança consoladora no Sacrário... Está aí... a um passo... Ao nos abençoar, a sombra de sua mão nos alcança... (Breve pausa)
¿E o que é que busca? Uma trégua a suas dores... Quer o amor de seus amados... Que venha então. ¡Ah, sim!... Que venha repousar nesta Hora Santa ao calor do afeto de nossas almas compassivas. Os anjos do Santuário escutam abismados uma harmonia triste e misteriosa: é como o eco, nunca apagado, de um divino lamento: o de Getsêmani... é o gemido salvador do Gólgota, que parece repercutir ao renovar-se este sacrifício incruento do altar... Desde o fundo do Sacrário, seus lábios, embebidos no fel de todas as ingratidões, nos nomeiam com bênção de amor a todos os que nesta Hora Santa viemos chorar com Ele a desventura de seu amor menosprezado. É grande, ¡que imenso é a dor que O atormenta... mas é maior ainda, é infinito, o amor que O tortura!... ¡Quanta dignação a deste Salvador! Quer confiar-nos suas tristezas; está ansioso por desabafar conosco a decepção sofrida com tantos que, cumulados de favores, chamaram-se seus discípulos, e depois O abandonaram... Mais fiéis ainda que Pedro, que Tiago e que João no Horto da agonia, escutemo-Lo nós, pois quer falar-nos pela ferida de seu amante Coração. (Pausa mais longa)
(Solicitai com fervor e humildade a graça de escutar a voz do Senhor, que pede e que se queixa). (Lento) Voz do Mestre. Fazia tanto tempo, alma querida, que te aguardava aqui na Hóstia para contar-te o amor que me devora... Te abençoo, porque tiveste compaixão de teu Deus encarcerado, sumido em amarga solidão... Tinha sede de ti... Por fim te venci... Dize-me tu mesmo, sim, repete-me que meu Coração te venceu... Assegura-me em seguida que me amas..., que tu também sentes sede de mim, e sede devoradora... Longe de meu lado, tu, que és pó e nada, quantas vezes riste e gozaste... Eu sem ti, Eu, teu Deus, por recobrar-te, deixei os anjos, deixei os céus, e, depois de trinta e três anos de agonia, expirei num cadafalso... Rompeste um dia minhas correntes..., e, livre de meus braços pela culpa, ¡ai!, ¿como pudeste amar tão triste liberdade?... Olha, em troca, os grilhões que na terra me forjei para atar-me a teu ingrato coração... Aqui me tens, constituído no Prisioneiro dichoso de teu amor... ¿Como me pagaste? Te perdoo; mas sê desde hoje, em desagravo, inteira e eternamente meu... Filho tão amado, contempla-me traído e só..., só e blasfemado..., só e escarnecido..., só e sempre abandonado. ¡Como me fere esse esquecimento, sobretudo o dos bons; como me lastima a covardia e indiferença dos que se chamam meus amigos!... "Eis aqui o Coração que tanto amou os homens, e pelos quais é tão mal correspondido...". ¿Haverá dor semelhante à minha dor?... Minha alma está triste até a morte... Aproxima-te, põe os lábios na ferida de meu Costado, e, em reparação de amor, dize-me que me amas com todo teu coração, com toda tua alma e todas tuas forças. Dá-me de beber tua alma... Tenho sede de tua felicidade... (Cortado e muito lento) Chamei tua consciência tantas vezes por minha graça, e emudeceste... ¿Recordas?... Perdoo teu desdém e teu silêncio... Esperei às portas de tua alma semanas, meses, longos anos...; te supliquei que me abrisses... e me rejeitaste... ¿Te recordas?... Perdoo essa cruel deslealdade... Arrojado de todas as partes, mendiguei um consolo e o albergue de teu coração... Por respeito humano, por falta de abnegação ou por tibieza, me negaste... ¿Recordas?... Esqueço essa perfídia... Quando repartias carinho a todos, pedi para mim uma centelha desse afeto... Todas as criaturas chegam sempre a tempo, todas... e Eu, alma querida, ¿por que só Eu chego sempre tarde?... ¿Por que me feres?... ¿Quando e em que te contristei?... ¡Responde-me! (Breve pausa)
(Cortado) Tive fome de dar consolo aos enfermos e aos tristes... Busquei um refúgio nas casas da dor humana...; entrei com ousadia nelas, pois sou o Deus consolador de todas as misérias... E aqui me têm arrojado com ignomínia de centenas de hospitais, da cabeceira dos anciãos e dos berços dos órfãos... ¿Que mal vos fez minha compaixão e minha ternura?... ¡Oh! Vós, filhinhos meus, amai-me, em reparação de tanta crueldade... Amai-me muito. Sou Jesus... Tive sede de um amor sem mancha: o das flores da infância... Busquei o carinho das crianças, pois ao descer do Calvário de minhas decepções recordei os lírios e as brisas de meu Nazaré inesquecível, quando Eu também fui Criança... ¡Oh, dor! ¡Desse campo de açucenas, da escola, também se me expulsou!... Escuta, alma consoladora, como os que se chamam sábios no mundo me renegam e maldizem... ¿Que mal fiz a vossos filhos?... Amai-me, ¡oh!, amai-me muito. Sou Jesus... Estive ansioso por fazer-vos felizes, dando-vos a verdadeira paz, que o mundo não possui, e vos roguei que me aceitásseis, como um dos vossos, no íntimo de vosso lar... quis constituir-me e ser chamado o Pai, o Esposo adorado, o Irmão inseparável... e o lar me despediu... Mas não me irei... ¡Ah, não! Aqui me tendes aguardando com doçura que um pesar me abra, ainda que tarde, sua porta, pois as de meu Coração jamais se fecham. Eu sou Jesus, a paz e o amor das famílias... Deixai em minha fronte, se quiserdes, a coroa de espinhos, deixai-a sangrenta e crudelíssima, mas dai-me, vos peço por minha Mãe, dai-me hospedagem em vossas casas, consentí que reine no lar... Amai-me na família...; sou sua vida... Amai-me muito, porque eu sou Jesus. (Pausa longa)
E agora, fala-me tu, alma dichosa; fala-me em íntima confiança, a este Deus, que é todo caridade... Eis-me aqui, benigno e manso, sou Jesus de Nazaré... ¿Que poderia negar-te nesta Hora Santa, em que vieste compartilhar meus abandono e minhas agonias?... Aqui tens; te entrego o Coração que tanto te amou...: não posso conter os ardores do amor que te professo... Chama-me, e serei mil vezes teu...; fala-me, sou teu Irmão...; adora-me, sou teu Deus... Consola-me, com todo o amor de tua alma... Eu sou Jesus... (Pausa)
(Enquanto tantos bons dormem, enquanto tantos desgraçados pecam, o Senhor Jesus segue agonizando misticamente no Sacrário... Aproximemo-nos e falemos, em doce intimidade, a seu Coração que nos aguarda). (Lento e sempre cortado) Voz da alma. ¿Que tenho eu, Senhor Jesus, que Tu não me tenhas dado? ¿Que sei eu, que Tu não me tenhas ensinado? ¿Que valho eu, se não estou a teu lado? ¿Que mereço eu, se a ti não estou unido? ¡Perdoa-me os erros que contra ti cometi! Pois me criaste, sem que o merecesse, E me redimiste, sem que te o pedisse... Muito fizeste em criar-me, Muito em redimir-me. E não serás menos poderoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramaste, E a acerba morte que padeceste, Não foi pelos anjos que te louvam, Senão por mim e demais pecadores que te ofendem... Se te neguei, deixa-me reconhecer-te; Se te injuriei, deixa-me louvar-te; Se te ofendi, deixa-me servir-te, Porque é mais morte que vida, A que não está empregada em teu santo serviço. (Breve pausa)
¡Que bem me encontro assim..., reclinado brandamente no céu de teu peito!... É este, só este, o lugar de meu descanso eterno...; este, o Tabernáculo onde escuto tuas palavras de vida e teus reclamos de amor e sacrifício... Deixa de sofrer, Mestre e atende o hino de minha alma, ansiosa por confundir-se, num abraço eterno, com a tua... Escuta-me, Jesus-Irmão: (Lento) Coração de Jesus, dulcíssimo com os pecadores: um pecador te fala... Coração de Jesus, caminho dos extraviados: um pródigo te busca... Coração de Jesus, suavidade dos que sofrem: um desgraçado chama a teu santuário... Coração de Jesus, amigo fidelíssimo do homem, um amigo ingrato está aqui e te chora... Coração de Jesus, bonança nas contínuas vacilações da vida; uma alma combatida te chama em seu socorro... Coração de Jesus, fogueira de santidade no amor; minha alma anseia saciar-se em ti de amor e santidade... Coração de Jesus agonizante, esperança dos moribundos, memento: lembra-te dos que nesta mesma hora lutam nas convulsões da morte... Tem piedade dos agonizantes, salva-os segundo tua grande misericórdia... Envia-lhes, Senhor, o anjo de Getsêmani, e aproxima a seus lábios, que já não podem chamar-te, o cálice de teu Coração piedoso. ¡Jesus..., sê Jesus com os moribundos mais desamparados!... (Pedi pelos agonizantes). (Pausa)
Tua terna Mãe e tua Cruz são testemunhas desta tua amabilíssima palavra: "Vim em busca dos enfermos, dos extraviados..., das ovelhinhas perdidas de Israel". A Virgem Maria recolheu zelosa, em benefício dos pecadores, tuas lágrimas de sangue. Em união, pois, com Ela, boa, misericordiosa, refúgio de pecadores e caídos, te peço por aqueles que ao ofender-te não sabem o que fazem... O mundo os condena inexorável; mas Tu, que conheces a fraqueza humana e que lês tão dentro dessas almas infelizes, Tu, Jesus, tem piedade, tem paciência, tem perdão para elas em teu amável Coração... Te peço, te rogo, em nome de tua Eucaristia...
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