Leão XIII, o Papa do Rosário, escreveu treze encíclicas e vinte e dois documentos menores dedicados ao Santíssimo Rosário, chamando-o de "a mais agradável das orações" e "resumo do culto que se deve tributar à Virgem". Neste mês de outubro, dedicado ao Rosário, o portal Sedevacante publica a íntegra da encíclica Supremi Apostolatus, de 1º de setembro de 1883, primeira de uma série de treze, na qual o Pontífice exorta os fiéis a se refugiarem sob a proteção de Maria para obter alívio dos males que afligem a Igreja.
MÊS DE OUTUBRO: O SALTÉRIO DA VIRGEM – RÁDIO CRISTIANDADE
A ARMADURA DE DEUS – DOCUMENTOS DE LEÃO XIII SOBRE O SANTÍSSIMO ROSÁRIO
Leão XIII é considerado O Papa do Rosário. Chama ao Santo Rosário: «A mais agradável das orações». «Resumo do culto que se lhe deve tributar à Virgem». «Uma maneira fácil de fazer recordar aos simples os Dogmas da fé cristã». «Um modo eficaz de curar o apego ao terrenal». «Um remédio para pensar no eterno». Leão XIII nasceu em Carpineto Romano, Estados Pontifícios, em 2 de março de 1810, e faleceu em Roma, em 20 de julho de 1903. Seu nome de nascimento era Vincenzo Gioacchino Raffaele Luigi Pecci Prosperi Buzzi. Procedia de uma família aristocrática do Lácio; foi o sexto dos sete filhos dos condes Ludovico Pecci e Anna Prosperi Buzzi. Em 1843 foi consagrado Arcebispo Titular de Damieta e destinado como Núncio a Bruxelas, onde permaneceu até 1846. Pouco depois foi nomeado Bispo de Perúgia com o grau de Arcebispo ad personam. Em 1856 o Papa Pio IX o nomeou Cardeal do título de São Crisógono. Seu papado estendeu-se de 20 de fevereiro de 1878 a 20 de julho de 1903, quando faleceu aos 93 anos. Sua Santidade Leão XIII escreveu treze Encíclicas referentes ao Santíssimo Rosário; e dedicou vinte e dois documentos menores para recomendar aos fiéis o rezo do Rosário. Eis a lista das Encíclicas, que iremos publicando durante este mês dedicado ao Santíssimo Rosário:
Supremi Apostolatus: de 1º de setembro de 1883. Salutaris ille Spiritus: de 25 de dezembro de 1883. Superiore Anno: de 30 de agosto de 1884. Quamquam pluries: de 15 de agosto de 1889. Octobri Mense: de 22 de setembro de 1891. Magnae Dei Matris: de 8 de setembro de 1892. Laetitiae Sanctae: de 8 de setembro de 1893. Iucunda Semper: de 8 de setembro de 1893. Adiutricem populi: de 5 de setembro de 1895. Fidentem piumque: de 20 de setembro de 1896. Augustissimae Virginis: de 12 de setembro de 1897. Diuturni Temporis: de 6 de setembro de 1898. Parta humano generi: de 8 de setembro de 1901.
Começamos hoje com a publicação das mesmas.
ENCÍCLICA SUPREMI APOSTOLATUS Sobre a devoção ao Santo Rosário De 1º de setembro de 1883
O apostolado supremo que Nos está confiado e as circunstâncias difíceis pelas quais atravessamos, Nos advertem a cada momento e imperiosamente Nos impelem a velar com tanto mais cuidado pela integridade da Igreja quanto maiores são as calamidades que a afligem. Por esta razão, ao mesmo tempo que Nos esforçamos quanto seja possível em defender por todos os meios os direitos da Igreja e em prevenir e rechaçar os perigos que a ameaçam e assediam, empregamos a maior diligência em implorar a assistência dos divinos socorros, com cuja única ajuda podem ter bom resultado Nossos afãs e cuidados.
Devoção a Maria. O Rosário
E cremos que nada pode conduzir mais eficazmente a este fim do que, com a prática da Religião e a piedade, tornar-nos propícia a excelsa Mãe de Deus, a Virgem Maria, que é a que pode alcançar-nos a paz e dispensar-nos a graça, colocada como está por seu Divino Filho no cume da glória e do poder, para ajudar com o socorro de sua proteção aos homens que em meio a fadigas e perigos se encontram na Cidade Eterna. Por isto, e próximo já o solene aniversário que recorda os inumeráveis e grandes benefícios que reportou ao povo cristão a devoção do Santo Rosário de Maria, Nos queremos que no corrente ano esta devoção seja objeto de particular atenção no mundo católico, a fim de que pela intercessão da Virgem Maria obtenhamos de seu Divino Filho venturoso alívio e término a Nossos males. Por isso mesmo pensamos, Veneráveis Irmãos, dirigir-vos estas Letras, a fim de que, conhecido Nosso propósito, excitéis com vossa autoridade e com vosso zelo a piedade dos povos para que o cumpram esmeradamente.
Maria ampara a Igreja nos tempos calamitosos
Em tempos críticos e angustiosos sempre o principal e constante cuidado dos católicos é refugiar-se sob a égide de Maria e amparar-se a sua maternal bondade, o que demonstra que a Igreja católica pôs sempre e com razão na Mãe de Deus toda a sua confiança. Com efeito, a Virgem, isenta da mancha original, escolhida para ser a Mãe de Deus e associada por isso mesmo à obra da salvação do gênero humano, goza junto de seu Filho de um favor e poder tão grande, como nunca puderam nem poderão obtê-lo nem os homens nem os Anjos. Assim, pois, já que lhe é sobremaneira doce e agradável conceder seu socorro e assistência a quantos a peçam, desde logo é de esperar que acolherá carinhosa as preces da Igreja universal. Mas esta piedade tão grande e tão cheia de confiança na Rainha dos céus nunca brilhou com mais resplendor do que quando a violência dos erros, o transbordamento dos costumes, ou os ataques de adversários poderosos pareceram pôr em perigo a Igreja de Deus.
Os exemplos da História
A história antiga e moderna e os fastos mais memoráveis da Igreja recordam as preces públicas e privadas dirigidas à Virgem Santíssima, como os auxílios concedidos por Ela; e igualmente em muitas circunstâncias a paz e tranquilidade pública, obtidas por sua intercessão. Daí estes excelentes títulos de Auxiliadora, Benfeitora e Consoladora dos cristãos; Rainha dos exércitos e Dispensadora da paz, com que se a saudou. Entre todos os títulos é muito especialmente digno de menção o de Santíssimo Rosário, pelo qual foram consagrados perpetuamente os insignes benefícios que lhe deve a cristandade. Nenhum de vós ignora, Veneráveis Irmãos, quantos dissabores e amarguras causaram à Santa Igreja de Deus no fim do século XII os heréticos Albigenses, que, nascidos da seita dos últimos Maniqueus, encheram de seus perniciosos erros o Meio-Dia da França, e todos os demais países do mundo latino, e levando a todas as partes o terror de suas armas, estendiam por toda parte seu domínio com o extermínio e a morte.
Santo Domingo e o Rosário
Contra tão terríveis inimigos, Deus suscitou em sua misericórdia o insigne Padre e fundador da Ordem dos Dominicanos. Este herói, grande pela integridade de sua doutrina, pelo exemplo de suas virtudes e por seus trabalhos apostólicos, esforçou-se em pelejar contra os inimigos da Igreja Católica, não com a força nem com as armas, mas com a mais acendrada fé na devoção do Santo Rosário, que ele foi o primeiro a propagar, e que seus filhos levaram aos quatro ângulos do mundo. Previa, com efeito, por inspiração divina, que esta devoção poria em fuga, como poderosa máquina de guerra, aos inimigos, e confundiria sua audácia e sua louca impiedade. Assim o justificaram os fatos. Graças a este modo de orar, aceito, regulado e posto em prática pela Ordem de Santo Domingo, começaram a arraigar-se a piedade, a fé e a concórdia, e ficaram destruídos os projetos e artifícios dos hereges; muitos extraviados voltaram ao reto caminho e o furor dos ímpios foi refreado pelas armas católicas empunhadas para resistir-lhe.
Maria das Vitórias contra os turcos
A eficácia e o poder dessa oração foram experimentados no século XVI, quando os inumeráveis exércitos dos turcos estavam na véspera de impor o jugo da superstição e da barbárie a quase toda a Europa. Com este motivo o Soberano Pontífice Pio V, depois de reanimar em todos os Príncipes Cristãos o sentimento da comum defesa, tratou, quanto estava ao seu alcance, de tornar propícios aos cristãos a todopoderosa Mãe de Deus e de atrair sobre eles seu auxílio, invocando-a por meio do Santíssimo Rosário. Este nobre exemplo que naqueles dias se ofereceu à terra e ao céu, uniu todos os ânimos e persuadiu a todos os corações; de sorte que os fiéis cristãos dedicados a derramar seu sangue e a sacrificar sua vida para salvar a Religião e a pátria, marchavam, sem ter em conta seu número, ao encontro das forças inimigas reunidas não longe do golfo de Corinto; enquanto os que não eram aptos para empunhar as armas, qual piedoso exército de suplicantes, imploravam e saudavam a Maria, repetindo as fórmulas do Rosário, e pediam o triunfo dos combatentes. A Soberana Senhora assim rogada, ouviu muito logo suas preces, pois que, empenhado o combate naval nas Ilhas Equínadas, a esquadra dos cristãos reportou, sem experimentar grandes baixas, uma insigne vitória e aniquilou as forças inimigas. Por este motivo, o mesmo Santo Pontífice, em agradecimento a tão assinalado benefício, quis que se consagrasse com uma festa em honra de Maria das Vitórias, a recordação desse memorável combate, e depois Gregório XIII sancionou dita festividade com o nome de Santo Rosário. Assim mesmo no século último alcançaram-se importantes vitórias sobre os turcos em Temesvar, Hungria e Corfu, as quais se obtiveram em dias consagrados à Santíssima Virgem, e terminadas as preces públicas do Santíssimo Rosário. Isto inclinou a Nosso predecessor Clemente XI a decretar para a Igreja universal a festividade do Santíssimo Rosário.
Os Romanos Pontífices falam do Santo Rosário
Assim, pois, demonstrado que esta forma de orar é agradável à Santíssima Virgem e tão própria para a defesa da Igreja e do povo cristão, como para atrair toda sorte de benefícios públicos e particulares, não é de admirar que vários de Nossos Predecessores se tenham dedicado a fomentá-la e recomendá-la com especiais elogios. Urbano IV assegurou que o rosário proporcionava todos os dias vantagens ao povo cristão; Sixto V disse que esse modo de orar cedia em maior honra e glória de Deus, e que era muito conveniente para conjurar os perigos que ameaçavam o mundo; Leão X declarou que se havia instituído contra os heresiarcas e as perniciosas heresias, e Júlio III o apelidou louvor da Igreja. São Pio V disse também do Rosário que, com a propagação destas preces, os fiéis começaram a enfervorizar-se na oração e que chegaram a ser homens distintos do que antes eram; que as trevas da heresia se dissiparam, e que a luz da fé brilhou em seu esplendor. Por último, Gregório XIII declarou que Santo Domingo havia instituído o Rosário para apaziguar a cólera de Deus e implorar a intercessão da bem-aventurada Virgem Maria.
Leão XIII e o momento atual
Inspirado Nos neste pensamento e nos exemplos de Nossos predecessores, cremos oportuno estabelecer preces solenes, elevando-as à Santíssima Virgem em seu Santo Rosário, para obter de Jesus Cristo igual socorro contra os perigos que Nos ameaçam. Já vedes, Veneráveis Irmãos, as difíceis provas a que todos os dias está exposta a Igreja; a piedade cristã, a moralidade pública, a fé mesma, que é o bem supremo e o princípio de todas as virtudes, tudo está ameaçado cada dia dos maiores perigos. Além disso não somente conheceis Nossa difícil situação e Nossas múltiplas angústias, mas vossa caridade vos leva a sentir conosco certa união e sociedade; pois é muito doloroso e lamentável ver a tantas almas resgatadas por Jesus Cristo, arrancadas à salvação pelo turbilhão de um século extraviado e precipitadas no abismo e na morte eterna. Em nossos tempos temos tanta necessidade do auxílio divino como na época em que o grande Domingo levantou o estandarte do Rosário de Maria, a fim de curar os males de sua época. Esse grande Santo, iluminado pela luz celestial, entreviu claramente que, para curar seu século, nenhum meio podia ser tão eficaz como o atrair os homens a Jesus Cristo, que é o caminho, a verdade e a vida, impelindo-os a dirigir-se à Virgem, a quem está concedido o poder de destruir todas as heresias.
Em que consiste o Rosário
A fórmula do Santo Rosário a compôs de t[...continua...]
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