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Sermão da Solenidade do Santíssimo Rosário: A Arma Poderosa para a Restauração da Igreja e do Mundo

4 de outubro de 2026 às 00:36

Sermão da Solenidade do Santíssimo Rosário: A Arma Poderosa para a Restauração da Igreja e do Mundo

No Primeiro Domingo de Outubro, a Igreja celebra a Solenidade do Santíssimo Rosário. Em sermão proferido pelo Padre Ceriani e transmitido pela Rádio Cristandade, o sacerdote apresenta o Rosário como a arma divina dada por Deus aos homens para aplacar a justiça divina, reparar as ruínas da sociedade e preparar o triunfo do Reino de Cristo sobre as almas e as nações.

No Primeiro Domingo de Outubro, a Igreja celebra a Solenidade do Santíssimo Rosário. Em sermão proferido pelo Padre Ceriani e transmitido pela Rádio Cristandade, o sacerdote apresenta o Rosário como a arma divina dada por Deus aos homens para aplacar a justiça divina, reparar as ruínas da sociedade e preparar o triunfo do Reino de Cristo sobre as almas e as nações.

No Evangelho da Solenidade, lemos: "Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da Virgem era Maria. E, entrando a ela o Anjo, disse: 'Salve, cheia de graça: o Senhor é contigo; bendita tu entre as mulheres'. Mas ela, quando o ouviu, turbou-se com suas palavras e pensava que saudação seria aquela. Então lhe disse o Anjo: 'Não temas, Maria, porque achaste graça diante de Deus; eis que conceberás em teu seio e darás à luz um Filho, e lhe porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e seu reinado não terá fim'. Disse então Maria ao Anjo: 'Como sucederá isso? Porque não conheço varão'. E, respondendo o Anjo, disse-lhe: 'O Espírito Santo virá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra; por isso, o Santo que nascerá de ti será chamado Filho de Deus. E eis que Isabel, tua parenta, também concebeu um filho em sua velhice, e a que se chamava estéril já está no sexto mês. Porque para Deus não há nada impossível'. Disse então Maria: 'Eis aqui a escrava do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra'."

Hoje, Primeiro Domingo de Outubro, solenizamos a Festa do Santíssimo Rosário. Ao menos no hemisfério norte, a piedade católica consagra a Maria Santíssima os meses de maio e outubro; maio, o Mês das Flores, e outubro, o Mês dos Frutos. Entre todos esses frutos, que a Virgem Imaculada faz germinar e amadurecer nas almas que lhe são consagradas, o mais agradável é indubitavelmente o conhecimento e o amor de Deus e de Jesus Cristo, seu Filho. A vida eterna consiste em conhecer e amar o único Deus verdadeiro e Aquele que enviou ao mundo para salvá-lo, Jesus Cristo. Quem não conhece a Deus e o dom de seu amor ao mundo na pessoa de seu Filho encarnado vive nas trevas; quem não ama a Deus e ao Verbo, que se fez carne e habitou entre nós, permanece na morte. Esses desgraçados são legião… Como havemos de trabalhar para a ressurreição dessa legião de mortos? Os Vigários de Cristo nos indicaram como meio a devoção do Santíssimo Rosário.

Desde Sisto IV, contemporâneo de Alain de la Roche, dominicano bretão, a quem São Luís Maria Grignion de Montfort atribui o restabelecimento do Rosário; desde esse Papa, que declarou a antiguidade desta devoção, passando por Alexandre VI, também contemporâneo do Frei Pregador, e que afirmou "que pelos méritos de Santo Domingo, propagador insigne do Rosário, o mundo inteiro se havia firmado sobre suas bases", até Pio XII, quarenta e nove Papas exortaram, com o maior encarecimento, os fiéis de Cristo à prática desta admirável devoção. Uns, como Nicolau V, chamaram o Rosário "a árvore da vida que ressuscita os mortos, cura os enfermos e conserva a saúde aos que já dela desfrutam". Outros, como São Pio V, dizem que "graças à difusão do Rosário, os fiéis, movidos por suas meditações e por suas preces, converteram-se em outros homens, as trevas da heresia se dissiparam e a tocha da fé católica brilhou com novo resplendor".

Em presença dos peregrinos franceses, Pio IX proclamava "a grande força do exército que tem em suas mãos o Rosário", e dizia a outros peregrinos: "Dizei que o Papa vos dá um conselho: o de rezar o Rosário, em família, todos os dias. O Rosário é o resumo das orações cristãs e dos mistérios da Religião, o compêndio do Evangelho". Leão XIII exaltou o Rosário mais que ninguém, demonstrando, em quinze Encíclicas, com uma piedade que corre parelha com a doutrina, "que esta forma de oração é o remédio de todos os nossos males e o princípio de todos os bens". São Pio X cifrava toda a sua esperança no Rosário, para "restaurar todas as coisas em Cristo". Em seu testamento, quis consignar suas últimas vontades acerca do Rosário: "Se quereis que a paz reine em vossas famílias e em vossa pátria, rezai todos os dias o Rosário, com os vossos; o Rosário é um perfeito resumo do Evangelho e dá a paz a todos os que o rezam. O Rosário é a oração mais bela e a mais rica em graças; a que mais agrada à Santíssima Virgem Maria. Amai, pois, o Rosário; rezai-o todos os dias com devoção; este é o testamento que vos deixo, para que vos lembreis de mim".

Fazendo-se eco de seus predecessores, Bento XV, que já havia recomendado e enriquecido com indulgências esta invocação "Rainha do Santíssimo Rosário, rogai por nós", quis aprovar e abençoar, como intenção do mês de maio, "a difusão do Rosário".

Esta intenção vem admiravelmente a propósito. Meditemos sua oportunidade e suas vantagens. Quanto à sua oportunidade, quão cego é quem não vê que nos encontramos em uma hora decisiva! As causas segundas se agitam em tremendas convulsões; a Causa Primeira, Deus providente, as conduz à realização dos planos divinos; os acontecimentos, em vertiginosa confusão, arrastam os homens, que não sabem para onde vão; Deus, supremo dono de todos os movimentos humanos, assim como das forças da natureza, segue seus desígnios, que são planos de misericórdia e de amor. É verdade que, nestes momentos, sentimos os golpes da terrível justiça de Deus, a qual passa sobre o mundo em forma de furacão e se desencadeia em cataclismos sem precedentes. "Estouro fatal na vida dos povos"; "Consequência necessária do choque de paixões e do conflito de interesses", dizem os homens de olhar curto e superficial, que não sabem ver nada além de si mesmos… Os iluminados por uma luz superior sabem que a iniquidade faz chegar até Deus seu grito orgulhoso e provocador, e, então, a justiça de Deus levanta seu braço para vingar os direitos da Majestade divina. Sim, é a justiça de Deus que agora passa sobre as nações culpadas em ondas tumultuosas e enfurecidas. Mas a justiça divina se aplacará e se abraçará com a paz; e desse abraço provocado pelo amor e pela misericórdia de Deus surgirá uma nova ordem de coisas. Deus não apaga senão para escrever de novo; não destrói senão para reedificar. Esta será a obra do futuro Reino de Nosso Senhor.

Mas, que será este amanhã?, perguntam os espíritos ansiosos e turbados. Aqueles cuja fé serena a inteligência e robustece o coração respondem que este amanhã será o Dia de Deus, o Dia da ressurreição, o Dia do Reinado de Jesus Cristo sobre as almas e sobre as nações de boa vontade; o Dia do triunfo de seu Sagrado Coração, pela intercessão da Virgem Imaculada, sempre ocupada em esmagar a cabeça da serpente infernal. A nós toca adiantar a alba deste dia e assegurar seus esplendores e consolos. Deus o quer. Nós devemos desejá-lo com Ele. De que maneira havemos de trabalhar com Deus para preparar a paz, pela grande vitória, e para a regeneração?

Aqui se apresentam as vantagens desta devoção. O Santíssimo Rosário nos dá o meio para isso, elevando-nos até Deus, fazendo-nos viver n'Ele por meio da oração, ajudando-nos a reparar toda ruína pela virtude de seus mistérios, renovando-nos e santificando-nos com as ideias divinas que semeia em nossa inteligência e as sobre-humanas energias que infunde e põe em atividade em nossa vontade. É uma tripla e maravilhosa potência de elevação, de reparação e de transformação ou de santificação que o Espírito do Verbo Encarnado lhe comunicou, para sua glória, honra de sua Mãe Santíssima e proveito do gênero humano. Deus, ao nos dar a arma da oração, pôs seu poder em nossas mãos… Com efeito, orar é elevar-se até a luz inacessível em que Deus habita; orar é entrar nas maravilhosas potências do Senhor; é revestir-se da própria virtude de Deus. Não faltam quem não creia nesta intervenção de Deus na vida das nações, seja para castigar, seja para perdoar. Nós, que temos fé, reconhecemos o papel preponderante da oração na realização dos planos divinos. Quem obrará esta maravilha? Os Pastores supremos do rebanho de Cristo, seus Vigários na terra, nos respondem a porfia: O Santo Rosário da Santíssima Virgem.

Ao lado de Cristo, vivo na Sagrada Eucaristia e comunicando-nos desde Ela os tesouros de seu Sagrado Coração, Leão XIII nos mostra a Virgem Imaculada como o meio mais seguro de ir a seu Filho e de servi-lo com fidelidade. E acrescenta que "para honrar a Maria e merecer seu patrocínio e seus favores, não há melhor oração que o Rosário", como "não há meio mais eficaz que esta celestial devoção para aplacar a Majestade Divina ofendida e curar os males deploráveis, que são a ruína dos mais vitais interesses dos indivíduos e das nações". Mas é preciso ler de que maneira o grande Pontífice proclama o maravilhoso poder do Rosário. O quadro que traça, com poucas palavras, das ruínas acumuladas pelos perniciosos erros dos albigenses nas regiões meridionais da França e em outros países do mundo latino é um retrato do que sofremos hoje, por parte dos inimigos da Igreja católica. Contra esses inimigos ferozes, diz Leão XIII, o Deus das misericórdias suscitou um homem santíssimo, o glorioso Fundador e Pai da Ordem dos Pregadores. Ele luta heroicamente pela Igreja, confiando não nas armas nem na violência, mas, sobretudo, no Santo Rosário, que ele mesmo estabelece e propaga pessoalmente e por meio dos discípulos de sua Ordem. Sabia, graças a uma luz e vocação divinas, que os inimigos da fé, vencidos e desfeitos por esta oração, como por uma arma poderosa, ver-se-iam obrigados a reprimir sua ímpia e louca audácia. Já conhecemos quão plenamente se realizaram tais vaticínios. Conforme os fiéis se entregaram a esta oração, viram florescer de novo a fé, a piedade e a concórdia; as maquinações e artifícios do demônio foram desbaratados, muitos extraviados voltaram ao caminho da salvação e as armas que os católicos haviam tomado para rechaçar os assaltos serviram para reprimir o furor dos ímpios.

Baseados nestas palavras, podemos muito bem dizer a todos com a mais ardente convicção: Tomai a arma do Rosário; fazei que a tomem todos aqueles a quem chega vossa influência; aprendei a usá-la e ensinai seu manejo aos demais. A Virgem Imaculada promete a vida eterna a quem dá a conhecer os tesouros ocultos nesta devoção; por outra parte, esta arma é de têmpera divina e maravilhosamente apta para os maiores triunfos. De entre todas as fórmulas de oração, o Rosário põe em nossos lábios a mais divina e, portanto, como faz notar Santo Tomás, a mais humilde, a mais confiante, a mais ordenada e a mais devota. Santo Domingo conheceu admiravelmente este poder do Coração de Maria sobre o Coração de Jesus e o ascendente do coração do simples cristão sobre o Coração da Rainha dos Céus, pelo Rosário. Em meio ao espantoso desmoronamento da fé e da piedade católica no Meio-Dia da França, quando os mais animosos desesperavam do triunfo da Verdade e da Justiça, o heroico servo de Deus, sozinho, não cessou de crer e de esperar no Saltério de Maria. É que estava em posse das promessas da Santíssima Virgem, a qual lhe havia dito: "Exorta os homens a que rezem meu Rosário e isso será de grande proveito para as almas". A história nos diz como Deus correspondeu à confiança de seu apóstolo e como continua correspondendo, através dos séculos, aos que se esforçam em imitá-lo.

Que não faríamos pelas grandes causas da Igreja, se empregássemos a arma do Santo Rosário! Que triunfos não reportaríamos!...


📎 Fonte original: Wordpress

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